
Tapetes floridos e pregões à moda antiga atraíram milhares à Baixa
As flores do campo “invadiram” a Baixa da cidade e “transformaram-se” em tapetes coloridos e aromáticos que atraíram milhares de pessoas ao longo do dia ontem. Há quem tenha trabalhado pela noite adentro e os que preferiram criar os tapetes floridos já de madrugada. Mas, o resultado não podia ser mais positivo, tendo em conta a reação de quem andou pelo centro histórico, rendido a mais uma edição da Festa da Flor e da Planta.
Relva de jardim, rosas, estrelícias, malmequeres e pampilhos são algumas das espécies que serviram de matéria-prima ao tapete criado pelo Grupo Folclórico do Brinca - Eiras. «Viemos às 6 da manhã», contou Maria Filomena, destacando que são vários os motivos “desenhados” com flores, com destaque para a Rainha Santa Isabel em miniatura. Aliás, a padroeira de Coimbra esteve também em evidência num painel florido, colocado junto à banda do grupo, na Praça do Comércio, onde estiveram cerca de 40 expositores com múltiplas iguarias gastronómicas típicas da região.
«Levantámo-nos ainda não eram cinco da manhã. Mas, muita gente vem à noite, e faz bem. Faz-se mais suave e estamos mais descansados. O que vale é que há muita gente que ajuda e gosta destas coisas, das tradições antigas», salientou Lucinda Sousa, de 79 anos, elemento do Grupo Folclórico Rosas da Amoreira.
O Grupo Camponeses de Montessão, São Martinho do Bispo, não preparou um tapete florido, mas levou à Baixa da cidade ramos de flores do campo com direito a mensagens: “Queres entrar na roda comigo?”, “Dá-me a mão e vem dançar!”, “O meu amor disse que vinha quando o luar nascesse. A lua já acolá vai e o meu amor não aparece”, “Dás-me um beijito? Ai, ai isso é que não. Um abracito? Vá lá seu mandrião” ou “Anda que a música já chama” eram algumas das mensagens a acompanhar o pequeno bouquê.
Outro dos destaque da Festa da Flor e da Planta e que capta a atenção das pessoas, como já manda a tradição, são os pregões à moda antiga, que foram sendo entoados ao longo do dia e que tiveram “direito” a desfile.
“Copo e vela, 10 tostões”, “Água fresca para o romeiro”, “Quem quer carqueija para acender o fogão?”, “Quem quer comprar limões?’”, “Arroz doce de Coimbra. Foi feito agora está quentinho”, “Leiteira, olha a leiteira”, “Espinafres fresquinhos”, “Querem comprar molhadas de couve, alface e alho francês?”, “Café de Coimbra”, “Água fresca regalada, água de Coimbra”, “Quem quer flores?” ou claro está, “Arrufadas de Coimbra” são pregões que ainda hoje estão na memória de muitos dos que fizeram questão em deslocar-se à Baixa da cidade.
Em dia de reviver e celebrar as tradições, a Praça do Comércio foi o centro da gastronomia e da doçaria com sugestões para todos os dias, preparadas pelos grupos folclóricos.
Bolos de bacalhau, pataniscas, rissóis, sardinha fritas, mas também o arroz doce ou a arrufada, houve iguarias para todos os gostos e algumas delas exclusivas, como bolo de massa cevada ao culto do Espírito Santo, confecionado pelo Grupo Folclórico do Brinca, «o único grupo que tem a receita».|











