
Mais de 26 mil vozes fizeram festa da promoção e recorde na Liga 3
A vitória da Académica sobre o Trofense, por 3-0, confirmou o regresso da Briosa à II Liga e ficou também marcada por uma enchente histórica no Estádio Cidade de Coimbra, com 26.356 espectadores, novo recorde de assistência em jogos da Liga 3.
A tarde começou muito antes do apito inicial. Logo depois da hora de almoço, milhares de adeptos começaram a dirigir-se ao Estádio Cidade de Coimbra, numa romaria negra e branca que foi enchendo as ruas em redor do recinto desportivo do Calhabé e devolvendo à cidade memórias das grandes noites do passado. O ambiente fazia lembrar os tempos da I Liga e das campanhas europeias, com o recinto a “ganhar vida” muito antes do início da partida diante do Trofense.
Ao longo da semana, a procura por bilhetes foi crescendo de forma impressionante e o entusiasmo em redor da possibilidade de subida tornou-se cada vez mais evidente. Ainda antes do jogo já se percebia que a assistência poderia entrar para a história da competição e o cenário confirmou-se pouco depois. Os 26.356 espectadores presentes estabeleceram um novo recorde em jogos da Liga 3, ultrapassando os 22.197 registados no encontro entre União de Leiria e Sporting Braga B.
Nas bancadas via-se gente de todas as idades. Famílias inteiras, antigos estudantes, ex-jogadores, jovens adeptos e muitos rostos que fizeram parte da “onda” recente que foi um “tsunami” da ascensão à II Liga. Tudo isto proporcionou um ambiente raro nos últimos anos em Coimbra. À entrada, houve algum rodopio habitual de jogos grandes, com muitos adeptos à procura das portas certas num autêntica multidão que ia entrando, a conta-gotas, no “palco da subida”.
Depois, dentro do estádio, viveu-se uma atmosfera de festa permanente. Os cânticos nunca se calaram, as “holas” percorreram sucessivamente as bancadas e cada golo da Académica foi acompanhado por autênticas explosões de alegria. O apito final acabou por libertar toda a emoção acumulada ao longo da época e deu início a uma invasão de campo carregada de abraços, saltos e lágrimas, num retrato perfeito do significado daquela subida para o clube e para a cidade.
Durante largos minutos, o relvado transformou-se num mar negro e branco, o mesmo daquela “onda”. Coimbra voltou a sentir a Académica como nos velhos tempos e o Calhabé reviveu uma dessas noites que ficam guardadas na memória coletiva dos adeptos.












