
Comunidade de Penela unida em torno da Feira Medieval
Mais do que uma recriação história, Penela «vive e sente a Feira Medieval». É uma comunidade inteira que se junta neste desígnio. É assim desde 1994, com dois anos de interregno. Uma iniciativa que nasceu na escola e contagiou a comunidade, que vive intensamente este evento. A 30.ª edição começou ontem, com o castelo vestido de festa.
«Nós não organizamos a Feira Medieval, nós vivemos e sentimos a Feira Medieval». As palavras são de Joaquim Horta, presidente da Associação de Pais do Agrupamento de Escolas. Hoje tem os filhos na escola e sente particularmente este “bichinho”, que vem dos tempos em que era aluno, e através da feira descobriu novos encantos do castelo e na escola. Com um traje de nobre, Joaquim diz que as últimas três semanas foram «muito intensas», mas o trabalho começa em janeiro, com a preparação dos fatos, que todos os anos aumentam o guarda-roupa. «Todos trabalham e todos se envolvem», desde logo a «comunidade educativa», mas o entusiasmo alastra a «toda a comunidade» e é isso que torna a Feira de Penela «absolutamente única». «É um evento inclusivo, que envolve toda a comunidade e é também um eco evento, sem plástico», adianta.
Fernanda Dias, presidente da Direção do Agrupamento, não esconde o seu orgulho por este evento ter nascido na escola. Uma ideia da professora Célia Henriques, também presente. «Tudo começou com uma área-escola do 8.º ano», que levou os alunos para fora da sala de aula, à procura de plantas aromáticas, recorda. Uma experiência positiva que, logo depois, cativou o Município e a Associação de Pais e hoje envolve toda a comunidade. Especialmente os alunos, que integram grupos de saltimbancos, de dança, de teatro e estão nas diferentes barraquinhas. Os finalistas, esclarece a diretora, procuram fundos para a viagem a Edimburgo. Já os alunos do Clube de Ciências tentam receitas para visitar o castelo de Almourol. Noutras bancas vendem fruta, doces e queijo. «É uma forma de aprenderem a lidar com o público e perceberem a dinâmica do negócio», diz Fernanda Dias.

Na Taberna do Infante está Carla Rodrigues. É mãe de um antigo aluno, mas continua a ajudar e apresenta a ementa: assadura farta com arroz árabe e migas, javali com tortulhos, perna de javardo (javali) no espeto, naco de vitela, veado grelhado e tábua à chefe Zé (homenagem ao proprietário do restaurante O Pastor, recentemente falecido). Há pratos vegetarianos, bifanas e entremeada no trigueiro, sopa à lavrador, caldo verde, arroz doce, leite creme, fruta e queijos. A Associação de Pais é responsável pela taberna, que serve almoços, jantares e petiscos.
«Este é dos eventos em que tenho particular gosto», afiançava Eduardo Nogueira dos Santos, presidente da Câmara, que presidiu à abertura, acompanhado pelos vereadores Luís Balão e Edite Simões e pelo presidente da Assembleia Municipal. E a razão é simples, pois trata-se de «um evento colaborativo, que parte da comunidade, que vem de baixo para cima e que junta praticamente toda a comunidade. Nós só damos algum apoio», sublinhou, enaltecendo os «mais de 600 figurantes» envolvidos na feira, que tem sempre eventos de animação e conta com a participação de uma equipa profissional, que assegura os espetáculos de fogo, torneios e lutas a cavalo. Para o autarca, este é um momento particularmente importante num concelho que ainda continua com o Plano de Emergência ativo, tem duas estradas nacionais cortadas e muitos constrangimentos. Todavia, Penela está de portas abertas para receber os visitantes, que representam um ativo importante para dinamizar o comércio e a restauração local.











