
Jovem impedida de fazer visita ao TUMO por estar em cadeira de rodas elétrica
Uma jovem de 19 anos, aluna do 10.º ano da Escola Secundária Avelar Brotero, que se desloca em cadeira de rodas, viu-se ontem obrigada a regressar a casa sem poder acompanhar os colegas de turma numa visita de estudo ao centro TUMO Coimbra.
Em causa está o facto de o edifício daquele estabelecimento, situado na Baixa de Coimbra, junto ao Mercado D. Pedro V, não ter condições para receber cidadãos com mobilidade reduzida, nomeadamente que se deslocam em cadeira de rodas elétrica, como acontece com esta jovem.
O lamento foi deixado ao Diário de Coimbra pelo pai da jovem que, em contacto com o nosso jornal, criticou o facto de «um centro que se diz inclusivo» não ter como acolher uma pessoa em cadeira de rodas, como a sua filha.
«Como é que um edifício recentemente requalificado tem “zero” condições de acessibilidade?», lamenta o pai, que, tendo já experiência em situações idênticas, decidiu ontem ser ele a levar a filha ao edifício e depressa percebeu que não havia condições de a jovem acompanhar os colegas na visita de estudo, tendo, por isso, a levado de volta para casa, sem que pudesse cumprir o programa previsto.
Além do contacto com o nosso Jornal, o pai da jovem diz que fez uma exposição sobre o assunto à Câmara Municipal de Coimbra a dar conta da situação.
Igualmente triste com a situação está Fernanda Bacalhau, professora de Educação Especial da Escola Brotero, que acompanha a jovem, e que, como nos explicou, foi quem incentivou a que a aluna fizesse parte do grupo na visita de estudo, «por ter todo o direito de acompanhar a turma nas suas atividades».
«Aconteceu isto e estou triste... Não esperava que isto acontecesse num sítio como o TUMO, que se diz inclusivo», desabafou a docente, sem esconder a desilusão pelo episódio e confessando que, apesar de a aluna ter ido para casa, fez questão de cumprir a visita de estudo, acompanhando o resto da turma.
A professora confirma que no TUMO ainda foi sugerido à aluna que, tal como já aconteceu noutras situações, a jovem passasse da sua cadeira elétrica para uma cadeira de rodas manual, «por ser mais seguro». «Ela e o pai não aceitaram e eu percebo. Ela tem direito à sua autonomia e a ter igualdade de acesso ao edifício, como os seus colegas», concorda a professora que, enquanto especialista em Educação Especial, só pode sentir-se «desgostosa» com este episódio.
Um sentimento igual tem a própria direção do TUMO Coimbra que, contactada pelo Diário de Coimbra «lamenta o episódio ocorrido e apresenta as suas desculpas à aluna pelos constrangimentos causados».
«A questão da acessibilidade é um tema já identificado internamente e sobre o qual estamos proativamente a trabalhar», confirma, em resposta ao pedido de esclarecimentos do nosso Jornal, adiantando que «desde a abertura» do Centro, no antigo edifício dos Correios, junto ao Mercado D. Pedro V, os responsáveis do TUMO procuraram «uma solução compatível com o edifício antigo».
Não negando os problemas no que diz respeito às acessibilidades de pessoas com mobilidade reduzida, a direção do centro confirma, no entanto, que enquanto não é resolvida a questão das acessibilidades, o centro dispõe «atualmente de equipamentos que permitem a entrada de pessoas em cadeira de rodas manual — a cadeira e o elevador mecânico».
«Estamos conscientes de que podemos dar uma melhor resposta para cadeiras de rodas elétricas, e é nessa solução que estamos a trabalhar», continua o TUMO, garantindo todo o empenho «em encontrar uma resposta eficaz e célere, garantindo que o TUMO Coimbra seja um espaço acessível e inclusivo para todos os estudantes».












