
Canal de rega do Mondego volta a funcionar em pleno
Como estava previsto, a Ordem dos Engenheiros concluiu este mês o relatório sobre as cheias deste ano no Mondego, que será entregue à ministra do Ambiente amanhã, em Coimbra, dia em que o canal de rega deverá ficar a funcionar em pleno. Parte do canal, a que abastece as zonas do Bolão e São Martinho do Bispo, ficou recuperada no final de abril, após intervenção conduzida pela Agência Portuguesa do Ambiente, com a restante a ficar agora operacional, a tempo das sementeiras no vale do Mondego.
Na visita de amanhã ao sistema hidráulico do Mondego, Maria da Graça Carvalho irá às 10h30 ao Açude Ponte de Coimbra, para a abertura das comportas do canal condutor geral. Meia hora depois, a governante estará na obra de reconstrução do dique e do canal condutor geral da margem direita do leito central do Mondego, entre o Choupal e a rotura (junto à autoestrada A1).
Esta intervenção, recorda a APA em nota de agenda, «consistiu essencialmente na reconstrução do troço do canal condutor geral destruído, na reabilitação do revestimento em betão armado do canal, desde o local da rotura até ao Açude de Coimbra». A rotura ocorreu a 11 de fevereiro, com a APA a concluir estes trabalhos em três meses. Outros se seguirão, informa a agência, referindo «a reconstrução do dique (em consonância com as condições prévias à rotura), a plataforma do canal e a estrada de manutenção, a proteção do dique sob o viaduto da autoestrada com uma estrutura em betão armado, a reabilitação da bacia de dissipação do descarregador em sifão junto à autoestrada, do descarregador fusível em gabiões do Choupal e da ponte canal sobre o valeiro do Campeão».
A visita da governante inclui, pelas 11h30 no auditório da Administração da Região Hidrográfica do Centro da APA, a cerimónia de entrega do “Relatório técnico sobre as cheias de 2026 na Bacia Hidrográfica do Mondego e revisão dos modelos de gestão de risco”, protocolado entre a Agência Portuguesa do Ambiente e a Ordem dos Engenheiros a 27 de fevereiro.
O estudo incidiu na análise às circunstâncias da rotura deste ano, em comparação com os episódios de 2001 e 2019, para uma melhor prevenção de riscos, e também na avaliação das infraestruturas do Baixo Mondego, considerando adaptações necessárias face às alterações climáticas. Do relatório esperam-se contributos para um modelo de governança do aproveitamento hidráulico do Baixo Mondego, incluindo mecanismos de manutenção contínua e de financiamento para conservação preventiva.
João Grilo, presidente da Associação de Agricultores do Vale do Mondego, elogiou, em declarações ao Diário de Coimbra, a forma célere com que, desta vez, os problemas foram resolvidos, bem a tempo das sementeiras, que, de resto, já estão no terreno, «há muito trabalho feito». A chuva também reduziu de certa forma a apreensão e a reposição da normalidade em todo o canal é uma boa notícia. Otimista, o agricultor diz que o que «é preciso é andar para a frente», revelando alguma expetativa sobre os contributos para outra governança do sistema hidráulico.











