
Afastar autocarros de turismo pode prejudicar a Baixa
A Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC) está apreensiva com os efeitos da «recente decisão de proibir a paragem e o estacionamento de autocarros de turismo na zona da Portagem».
Num ofício dirigido à presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, e partilhado ontem com a comunicação social, a APBC diz compreender «os constrangimentos existentes naquele local, nomeadamente ao nível da circulação e da segurança», no entanto expressa preocupação com os «impactos muito significativos e negativos» da medida para a dinâmica económica da Baixa, em particular no que diz respeito ao comércio local.
«De acordo com o feedback já recolhido junto de operadores turísticos e guias, existe um risco real de redução do número de visitantes no centro urbano, sobretudo grupos organizados compostos, em grande parte, por pessoas com mobilidade reduzida ou condicionada.
A distância e as condições do percurso pedonal desde os novos pontos de paragem, nomeadamente ao longo da Avenida Emídio Navarro, poderão desincentivar a deslocação até à Baixa, levando inclusivamente à reconfiguração de circuitos turísticos, com menor permanência em Coimbra ou desvio para outras cidades», alerta na nota enviada ao nosso jornal, considerando que, embora «este segmento de turistas possa não representar sempre o maior consumo individual, é fundamental para a vitalidade, movimento e atratividade da Baixa, contribuindo para a sustentabilidade de muitos estabelecimentos».
Num «espírito construtivo», a APBC apresentou ao Município de Coimbra «algumas propostas que poderão ajudar a mitigar os impactos desta decisão».
Entre elas, a avaliação da possibilidade de utilização de uma área na Portagem, junto ao rio, onde atualmente existem espaços associados aos SMTUC, de forma a garantir «uma solução intermédia que não comprometa significativamente a circulação».
Sugere também a reavaliação de outros locais mais próximos da Baixa (como zona do Palácio da Justiça, Mercado Municipal, Estação Nova ou Avenida Central), que possam servir como pontos alternativos viáveis, e a criação de uma zona de paragem de curta duração na proximidade da Loja do Cidadão, permitindo a largada e tomada de passageiros em condições mais acessíveis ao centro.
«Adicionalmente, reforçamos a importância de que decisões com impacto direto na Baixa de Coimbra sejam articuladas com os seus principais dinamizadores, nomeadamente comerciantes, associações e instituições locais. Acreditamos que um trabalho conjunto permitirá encontrar soluções equilibradas, que conciliem a gestão do espaço público com a vitalidade económica e turística da cidade», defende.
Frisando que a Baixa de Coimbra é «um elemento central da identidade da cidade e não deve perder relevância no contexto da experiência turística», a APBC apela à abertura para diálogo e à reavaliação desta medida, tendo em conta os impactos já identificados.











