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Dar sangue. Um pequeno gesto que pode salvar várias vidas de gatos e cães

A Escola Agrária recebeu ontem uma sessão de recolha de sangue.

Os animais podem doar sangue? A resposta é sim. Tal como as pessoas, o cão ou o gato também pode dar sangue e, ao serem dadores, desempenham um papel importante e podem mesmo salvar vidas de outros animais. Tal como os humanos, os cães e os gatos também necessitam de transfusões de sangue e, por isso, há necessidade de haver um banco de sangue animal.

Em Coimbra, em concreto, na Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), houve seis gatos que foram dadores de sangue e, desta forma, irão contribuir para salvar a vida de um outro gato.

Os pedidos das clínicas veterinárias são “mais que muitos” e a HemoLife, tem vindo a reforçar a recolha de sangue de cães e gatos em várias regiões do país, com o objetivo de apoiar hospitais e clínicas que necessitam de transfusões.

Ontem, o Núcleo de Enfermagem Veterinária da ESAC, em parceria com a HemoLife Blood Bank, promoveu um dia especial de dádivas de sangue animal. A iniciativa pretendeu também dar a conhecer a importância da medicina transfusional veterinária, ainda pouco divulgada junto do público.

Mafalda Morais, médica veterinária da HemoLife, explicou ao Diário de Coimbra que «a procura por sangue tem vindo a aumentar, sobretudo no caso dos gatos. Este crescimento está relacionado com o facto de os animais de companhia serem cada vez mais considerados membros da família, levando os donos a investir mais na saúde e bem-estar».

Além de contribuir para salvar vidas, a doação traz benefícios para os próprios animais. Os tutores recebem, em troca, serviços gratuitos como análises clínicas, vacinação, desparasitação e colocação de microchip. Este acompanhamento funciona como uma espécie de medicina preventiva, sendo relevante para famílias com menos recursos . «O objetivo é também criar uma triagem inicial. Quando o animal chega ao veterinário, já leva exames feitos, o que permite avançar mais rapidamente para o tratamento», explicou a médica veterinária. Ontem, a iniciativa constituiu também uma “aula”, uma vez que as alunas de enfermagem veterinária também participaram.

Após a recolha, o sangue é processado em laboratório e dividido em componentes, como plasma e concentrado de eritrócitos. O plasma pode ser conservado congelado por mais tempo, enquanto o concentrado tem uma duração aproximada de um mês. No entanto, devido à elevada procura, especialmente no caso dos gatos, o sangue raramente permanece armazenado por mais de 24 horas.

Os animais podem doar sangue a cada três meses, sendo chamados de acordo com as necessidades e o seu tipo sanguíneo. Nos gatos existem três tipos de sangue, enquanto nos cães existem dois, o que influencia a gestão das reservas.
A participação nas doações é gratuita e não implica qualquer custo para os tutores. As inscrições podem ser feitas online, através do site da organização.
Já “despachados” estavam os gatos de Cristina Couceiro que, pela primeira vez, foram dadores. Considerando que se trata de uma excelente iniciativa, disse não ter tido dúvidas em aderir. «Se nós temos gatos saudáveis que podem ser dadores, acho muito bem», diz.
Sobre o comportamentos dos gatos (dois são seus e o outro está à guarda como família de acolhimento) disse que foi «ótimo» e que todos os que participaram na recolha foram «muito queridos». «Estava mais nervosa do que eles», disse Cristina Couceiro.

Maio 7, 2026 . 09:00

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