
Na Quinta Dona Iria trabalha-se para que os clientes se sintam em casa
Foi na tranquila localidade de Rio de Vide, no concelho de Miranda do Corvo, que nasceu há quase quatro anos a Quinta Dona Iria, onde funciona o restaurante Safra, «um projeto sentimental» pensado e dedicado à mãe de Ermindo Dias, de seu nome Iria, e que faleceu em 1986.
É no “pedaço de terra” e nas paredes erguidas outrora pelos seus progenitores que o empresário (com o sócio) tem vindo a dar vida às ideias que começaram a ser por si congeminadas em 2017 (ano em que se reformou) e que prontamente foram acarinhadas e impulsionadas pela esposa e filhos. A vinha já existia – tinha sido plantada em 2015, com a primeira produção de vinho certificado em 2018, com a ajuda de alguns amigos com as castas tintas Merlot e Syrah (50-50) – o lagar de azeite também, sendo importante, para “o alimentar”, reestruturar a agricultura da quinta e pensar num olival, e na casa a ideia passava por criar um restaurante e um pequeno hotel. Definido o projeto, seguiram-se cinco anos de muita resiliência.
«Em 2018 plantámos o olival e preparámos a pequena adega subterrânea». Depois, apareceu a pandemia, o que não constituiu um entrave no desenvolvimento do plano inicialmente traçado. Proprietários na altura do Trovador, em Coimbra, fecharam o restaurante durante nove meses e com toda a equipa deitaram mãos à obra na plantação de mais uma vinha, desta vez de uvas brancas. Corria o ano de 2020 e três anos depois saía da terra a primeira produção. Um ano antes o projeto foi dado por concluído com a inauguração a 23 de abril de 2022.
Com oito quartos modernos e acolhedores, a Quinta Dona Iria convida ao contacto com a natureza
Quatro anos depois, o projeto continua a ser orgulhosamente circular e, consequentemente, sustentável. Ermindo Dias explica: o vinho produzido na quinta, no total de três mil garrafas por ano, destina-se ao consumo interno, com venda para o exterior apenas na quinta, e o azeite, de 0,39% de acidez e de «grande qualidade», é usado na confeção do produto final, e ainda nos couverts do restaurante, sendo ainda passível de ser vendido a quem queira levar.
«Temos alguns protocolos com agências de viagens, uma delas é a Portimar, em que a partir do mês de abril, todas as quintas-feiras recebemos mais ou menos 12 pessoas para uma visita à quinta, prova de vinhos e de azeite», sendo que muitos deles acabam por levar um pouco destes produtos, exemplifica. A sustentabilidade do projeto está, assim, no círculo criado e no qual o vinho e o azeite são a base para uma gastronomia de qualidade.
Restaurante Safra
Essa mesma qualidade é atestada por todos os clientes à mesa do Safra, espaço de restauração que prima pela diferenciação no atendimento, na apresentação das iguarias, na decoração do espaço e, claro está, nos próprios pratos confecionados pela equipa de cozinha liderada pelo chef Miguel Batista. Com capacidade para 60 pessoas, e com uma esplanada que oferece vistas para a piscina e para o verde da quinta, tendo as serras como “pano de fundo”, o Safra constitui um local de eleição para almoços ou jantares em família, com amigos ou de negócios.
Tocata é a marca dos vinhos, numa homenagem à música
Com um percurso de vida muito marcado pela cultura e pela música, Ermindo Dias não hesitou em dotar as garrafas de vinho das várias produções ao longo dos anos de rótulos com motivos musicais. Por isso, desde a acolhedora adega, à loja junto à “eira” e aos quartos do alojamento, todos com grandes nomes da música nacional (alguns deles já passaram inclusive por este espaço), “respira-
-se” cultura na Quinta Dona Iria. O propósito de todos os pormenores do alojamento, restaurante e produtos, passa por contribuir para que todas as pessoas que escolhem este local se sintam verdadeiramente em casa.











