
Rabaçal: um cenário vivo de história e tradição
A 15.ª edição do Mercado do Queijo e dos Romanos transformou a Estação Arqueológica da Villa Romana do Rabaçal, em Penela, num cenário vivo de história e tradição.
O evento, que constitui uma oportunidade privilegiada para contactar com as tradições locais, revisitar o legado romano e desfrutar da riqueza gastronómica da região, afirma-se como um importante momento de promoção turística e cultural e celebrou o prestigiado Queijo Rabaçal DOP através de um programa que aliou a gastronomia à recriação da época romana.
O mercado não é apenas uma feira comercial, mas uma homenagem à herança romana e à atividade da pastorícia.
A Villa Romana do Rabaçal, rodeada por vegetação como o funcho e a erva de Santa Maria (que confere o sabor típico ao queijo), serviu de palco ideal para esta união entre arqueologia e produtos da terra. Além do queijo, os visitantes puderam encontrar outros produtos endógenos como o Vinho Terras de Sicó, Mel de Sicó e o artesanato regional.
A decisão de voltar à Estação Arqueológica deveu-se, na ótica de Eduardo Nogueira dos Santos, ao facto de a organização do evento entender que é o «local adequado para concretizar o casamento entre aquilo que é a história e o futuro, entre aquilo que é os romanos e o seu património, da qual também surge o queijo Rabaçal».
E promover o Queijo do Rabaçal, sublinhou o presidente da Câmara de Penela, «é falar da história, de séculos de existência e de um produto muito nobre, que ajuda a levar bem longe o nome do município», por isso, diz, «é um produto que tem de ser preservado, cuidado e também planeado para o futuro».

O queijo, particularmente no Rabaçal, ressalva o autarca, «tem impacto na economia local, tem um impacto na economia circular, cria postos de trabalho, é um fator de atratividade, traz pessoas ao território e leva o nome do território bem longe», deixando, igualmente, «uma palavra de agradecimento às confrarias - à do Queijo de Rabaçal e à Confraria do Vinho Terras de Sicó -, que «ajudam também a promover os produtos endógenos de excelência» de Penela.
Ao longo do dia várias foram as atividades dinamizadas, como, por exemplo, recriações históricas, que transportaram os visitantes para o quotidiano da antiga Roma, aproveitando o cenário autêntico das ruínas, festival de folclore e showcookings promovidos pelo chef Flávio Silva, que ajudou a degustar de forma diferente o queijo Rabaçal.
Caminhada e conferência integraram programa
«O queijo de Rabaçal tem um passado, tem um passado muito rico, de muitos séculos, mas queremos que este passado se concretize num futuro ainda mais rico e que perdure durante muitos anos», concretizou Eduardo Nogueira dos Santos.
Antes da abertura do certame decorreu a caminhada Rota do Queijo, organizada pela Associação de Caminheiros de Penela, permitindo aos participantes explorar as paisagens onde pastam os rebanhos que dão origem ao leite de ovelha e cabra.
No sábado, englobado na programação do Mercado do Queijo e dos Romanos do Rabaçal, a organização do evento, a cargo da União de Freguesias de Santa Eufémia, São Miguel e Rabaçal, em parceria com a Câmara Municipal de Penela, promoveu uma conferência temática no Museu da Villa Romana do Rabaçal dedicada à valorização, promoção e reflexão em torno desta iguaria identitária do território.
Maior queijo do mundo simboliza mestria dos produtores
A chegada do maior queijo do Rabaçal do mundo, peça gigante produzida anualmente para o Mercado do Queijo e dos Romanos, que simboliza a mestria dos produtores locais, foi um dos pontos altos do evento.
O corte e a degustação gratuita da iguaria produzida pela queijeira Fátima Carvalho, são vividos intensamente, conforme vários visitantes o afirmaram.
Trata-se de um queijo curado, de pasta semidura a dura, confecionado com uma mistura de leites de ovelha e cabra, seguindo os métodos tradicionais da região. Fátima Carvalho iniciou a produção da iguaria em janeiro e considera ser uma «grande responsabilidade» a sua produção.











