A verdade num negócio difícil
Muitas são as vozes anónimas, entre outras mais reconhecidas, que nos dizem: «O jornalismo é um mau negócio!» E fico desamparado com a crueza da afirmação, quando poderia ter sido farmacêutico ou médico ou procurado uma dessas profissões que, se não significam necessariamente mais poder económico, são vistas socialmente com reconhecimento e merecida dignidade.
Então, o que nos leva a querer fazer jornalismo, quando somos quase sempre olhados com desconfiança, na nossa prática de informar e de investigar, atendendo às reduzidas possibilidades de financiamento e aos acrescidos riscos de segurança pessoal e familiar nesse exercício?
A nossa vocação de observar e de acompanhar as acções dos diversos poderes é incompatível com os modelos de negócio sustentáveis? Que tipo de negócio é o meu e o dos meus camaradas, quando evitamos que o dinheiro influencie a verdade do que contamos? Quem paga pelo jornalismo independente das agendas mediáticas e, sobretudo, dos poderes políticos e económicos?
De facto, faço parte daqueles profissionais praticamente sem horário laboral e que caminham na corda bamba da precariedade sem qualquer tipo de protecção, mas que teimam em superar o medo de cair.
O nosso trabalho não é fácil, exige múltipla preparação e esforço contínuo, em horas absurdas, para que possamos entrevistar fontes credíveis e investigar, apurar, seleccionar e relatar os acontecimentos relevantes para o público (cada vez mais segmentado), transformando informações em notícias.
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