
Entrada oeste da Pampilhosa da Serra “homenageia” trabalho dos cantoneiros
Os últimos quatro ex-cantoneiros da Junta Autónoma de Estradas na Pampilhosa da Serra foram ontem homenageados na vila, durante a cerimónia de inauguração da requalificação urbanística da entrada oeste da vila, onde também se situa a antiga Casa dos Cantoneiros, igualmente requalificada.
Uma inauguração realizada no Dia do Trabalhador numa «data propositadamente escolhida e que ganha um significado especial porque estamos a homenagear um serviço público que era realizado com extrema dedicação por parte dos cantoneiros, que trabalhavam em prol dos outros», referiu ontem o presidente da Câmara Municipal da Pampilhosa da Serra, antes de descerrar as placas, na presença dos quatro cantoneiros que recordaram «tempos difíceis».
Todos eles, com idades entre os 68 e os 90 anos, recordaram sobretudo os muitos sacrifícios, para cumprir a sua missão. «Com chuva, frio ou vento, tínhamos de manter as estradas limpas. E para lá chegar», lembrou António Rodrigues, com 90 anos, «tinha de ser a pé». «Já mais tarde, chegaram os dumpers», lembrou Joaquim Fernandes. Já José Barata, agora com 87 anos, recordou que, «à medida que iam avançando nos quilómetros que lhes eram atribuídos para limpar, tinham de levar a marmita para comer».
Por isso, Jorge Custódio enfatizou o «sacrifício destes homens no cumprimento da sua missão». «Quisemos perpetuar e requalificar esta casa, precisamente para recordar o trabalho árduo e o legado destes homens que são um exemplo para as novas gerações, um serviço público, cujo equivalente nos dias de hoje fica muito aquém do que então se fazia.
Jorge Custódio referiu ainda que esta requalificação insere-se numa estratégia mais ampla de requalificação da malha urbana da vila. «É umas das várias peças que estão a reestruturar e a valorizar a vila ao nível da mobilidade e urbanismo», sendo também «o símbolo de um território que valoriza o que tem, que aposta na sustentabilidade e que olha para o futuro com ambição».
A propósito, o autarca anunciou que a autarquia tem o projeto para a ligação pedonal de Santo António à entrada oeste da vila.
Nesse sentido, a requalificação da estrada oeste da vila, no cruzamento entre a Rua Rangel de Lima e a Avenida de São Silvestre, representa também a valorização de um dos recursos mais importantes do concelho: a água. Por isso, todo o enquadramento tem como inspiração o Rio Unhais, representado em cascata e espelho de água, além de jogos de água que harmonizam com a zona ajardinada.
Já a casa, onde também foi descerrada uma placa, alberga agora uma pequena coleção museológica com peças, mobiliário e ferramentas usadas outrora pelos profissionais.
A obra, que ocupa um terreno que pertencia à extinta Junta Autónoma das Estradas e que foi adquirido pelo Município, foi financiada pela União Europeia através do Programa Regional do Centro – Centro 2030, num investimento no valor de 676 395,40 euros (acrescidos de IVA).
A maior árvore eólica do país “não é um monte de ferros”
Na área ajardinada, surge uma árvore eólica «que não é um monte de ferros, mas sim um elemento inovador e com uma função na eficiência energética de todo o espaço», como explicou Jorge Custódio. Composta por 36 microturbinas, com uma potência total de 10 800 W, a “Wind Tree” é responsável por alimentar a quase totalidade das necessidades energéticas do espaço, desde a iluminação pública ao sistema de tratamento e recirculação da água, garantindo um custo de energia praticamente nulo. De resto, é a maior árvore eólica instalada em Portugal, também símbolo da valorização dos recursos naturais.












