
Música aquece corações e inspira solidariedade
«Há corações solidários, é preciso é que haja projetos concretos, próximos». As palavras são do padre Nuno Santos e ontem, no Pavilhão Centro de Portugal, provou-
-se que assim é, com lotação esgotada para assistir ao concerto “Ecos do Clássico, Voz de Coimbra”. Um encontro com a música, assumido pela Orquestra Clássica do Centro, em parceria com o Rotary Clube de Coimbra Olivais, os Clubes Rotários de Coimbra e Coimbra Saúde e o Seminário Maior. Uma parceria solidária e um concerto também ele solidário, com um propósito claro de ajudar uma família da freguesia de Ceira que não conseguiu resolver o problema que a tempestade Kristin criou em sua casa.
Uma «obra pequena», salientou o reitor do Seminário Maior, que esta semana se deslocou ao local, acompanhado pelo empreiteiro, que fez o orçamento. São três mil euros. «Possivelmente não conseguiremos esse dinheiro aqui», admitiu o padre Nuno. Todavia, garantiu que «a obra é para fazer!» Um «compromisso» assumido, antes de a música se fazer ouvir, perante o público que se associou ao evento. Na primeira fila, incógnita, estava a família bafejada com este concerto solidário.
Música conjugou, mais uma vez, harmonia e beleza com elevação e solidariedade
«É uma pequena partilha», disse ainda o reitor do Seminário, que não tem dúvidas de que «só fazemos bem quando nos juntamos e quando nos juntamos podemos ajudar a fazer uma sociedade mais justa» e «continuar a sonhar com outras ideias de solidariedade», acrescentou.
A ideia, contou, partiu de Isabel Geraldes, do Rotary Coimbra – Olivais, cresceu para os restantes clubes e ganhou forma com o coração grande de Emília Martins, responsável pela Orquestra Clássica do Centro. No “meio”, como entidade “charneira”, habituada a ser chamada para resolver dificuldades da mais diversa índole, ficou o Seminário Maior de Coimbra. «Depois da tempestade, das promessas e das soluções, ficou muito por fazer» e o objetivo foi precisamente encontrar uma família que não precisasse de uma casa ou um telhado novo, mas de uma pequena ajuda, pois as contas “apertadas” do dia a dia não permitem responder a imprevistos, como aconteceu.
Este «espírito solidário», esta «partilha» é uma prática corrente no Seminário Maior. Um abraço com e pela comunidade que permite, em cada dois/três meses, dar resposta a uma ou duas situações concretas, próximas, como garantir um tratamento dentário ou arranjar alguma mobília. «Isso torna-nos a todos mais generosos», considera Nuno Santos.
A solidariedade fez-se música, ao final da tarde, com a Orquestra Clássica do Centro, dirigida pelo maestro Fernando Marinho, com a participação da soprano Mariana Lopes, do barítono Filiberto Bruno e também com a voz do fado, trazida por João Farinha, acompanhado por Hugo Gamboias na guitarra portuguesa e por Diogo Passos na guitarra clássica.









