
Falta fazer a Regionalização para ambicionar “cumprir Abril”
Cinquenta anos depois de consagrada na Constituição da República Portuguesa, a Regionalização «continua por concretizar». Uma das razões que justifica o facto de Portugal ser «um dos países mais centralistas da Europa, onde as decisões estão distantes e isso tem consequências». Uma constatação expressa por Ana Abrunhosa, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, ontem, na cerimónia que assinalou os 52 anos do 25 de Abril.
«Não é apenas uma falha técnica, é uma falha política», afirmou a autarca, para quem a regionalização, mais do que uma norma institucional, representa «uma condição» para «melhores decisões políticas», «com mais transparência» e «mais escrutínio». «Não é fácil», admitiu, mas ao «permitir decisões mais próximas das pessoas» e «reconhecer que o país não é todo igual», a regionalização representa uma ferramenta incontornável para «governar melhor», «permitir «melhores decisões», «melhorar a gestão pública», «a coesão territorial» e assegurar «mais qualidade de vida» disse ainda a autarca, que defendeu «um debate com serenidade» sobre o tema, pois «tem vantagens, mas também tem riscos».
«Coimbra sabe bem o que é pensar o país a partir do território», afirmou a presidente, com a certeza de que o município «tem que estar no centro deste debate». «Isto é continuar Abril, o Abril que ainda falta fazer de que fala Manuel Alegre», disse, dando nota da importância de celebrar esta herança e tudo o que a liberdade representa, mas «sem desistir do que ainda falta». «A democracia é uma caminhada exigente que se faz todos os dias, com o envolvimento de todos», adiantou, deixando o compromisso de «não dar Abril por concluído enquanto houver país por cumprir».
Antes, na primeira sessão comemorativa do 25 de Abril a que presidiu como autarca, Ana Abrunhosa elogiou e agradeceu a «riqueza das ideias» expressa pelos deputados das diferentes bancadas. «Isto é o 25 de Abril, todos têm voz, a sua voz, podemos estar ou não de acordo, mas é dessa discussão que se faz Abril», concluiu.
Maria Manuel Leitão Marques, presidente da Assembleia Municipal, a primeira oradora, lembrou os 50 anos da Constituição e a presença, entre os deputados constituintes, de quatro professores da Universidade de Coimbra e de seis antigos presidente da Associação Académica. Sublinhou que o poder local é uma das grandes conquistas de Abril e a «forma mais próxima e eficaz de participação democrática», que deve continuar a merecer atenção e “reforma”, designadamente da Lei das Finanças Locais. «Abril exige um compromisso de cada geração», que deve encarar a «democracia não como um legado, mas como uma tarefa de cada dia», disse ainda, pedindo às novas gerações «a mesma coragem e a mesma determinação daqueles que, naquela madrugada, nos permitiram acordar em liberdade»
Aplausos interromperam deputado
«Devia ser impossível odiarmos imigrantes», afirmou Luís Filipe Silva, representante da bancada do PS na Assembleia Municipal, que recordou o seu berço, de descendente de uma família da zona da Serra da Estrela que, em busca de uma vida melhor, como muitos portugueses, emigrou para o Brasil. Para o deputado, esta é uma herança do país e, por isso «é perverso e indecente que Portugal esteja a viver num clima que promove o ódio». Um discurso emotivo, interrompido por uma enorme salva de palmas, que encerrou as intervenções dos representantes de todas as forças partidárias com assento na Assembleia Municipal. Seguiu-se a terceira edição da Assembleia Municipal Jovem.











