
Moção Global mostra espinha dorsal da política da academia de Coimbra
Desde a Lei de Bases do Sistema Educativo, ao sistema de financiamento das instituições de ensino superior, passando pelo sistema de ação social e os problemas da habitação estudantil, a Moção Global da Associação Académica de Coimbra (AAC) foi apresentada ontem como resposta a um «mundo em profunda convulsão», afirmou José Machado, presidente da Direção-Geral.
«São vários os desafios e as lutas que travamos diariamente, em parte profundamente distintas daqueles que no passado enfrentamos. Da proliferação do discurso de ódio às consecutivas tentativas em elitizar o ensino superior português, a Associação Académica de Coimbra está e deverá permanecer numa posição privilegiada de contribuição para a governação do nosso país», defendeu o dirigente estudantil, dando ênfase a importância do documento apresentado onde estão integrados cerca de 40 tópicos referentes às dificuldades, preocupações e desafios dos estudantes e do sistema do ensino superior em Portugal.
Com contributos das últimas direções-gerais e dos núcleos de estudantes da Associação Académica, o pelouro da Política Educativa produziu esta moção que pretende ser como uma «espinha dorsal política da Académica», salientou.
«Do RJIES, ao financiamento do ensino superior, atravessando a política ambiental, a digitalização e inovação pedagógica, este documento político é o mais completo e mais objetivo que a Académica alguma vez produziu na sua história».
Após várias eleições nos últimos anos, a Associação Académica produziu documentos e moções que serviram como linha condutora para as reivindicações junto de entidades, partidos políticos, Governo e instâncias europeias e, por isso, os estudantes decidiram agora consolidá-las na Moção Global.
«Denunciamos o subfinanciamento crónico das nossas instituições, (...) a crise habitacional que consome mais de 60% do rendimento de um jovem dadas as sucessivas falhas no cumprimento do PNAES, o não reforço do apoio psicológico, a precariedade na investigação», enumerou António Lopes, vice-presidente da DG/AAC, defendendo que «o estudante não pode ser tratado como mero destinatário passivo das decisões institucionais. Com esta Moção Geral, a Academia de Coimbra defende mais participação nas decisões, participação nos órgãos de decisão.
«Não deixaremos que nos calem. Não deixaremos que elitizem o Ensino Superior. Nem deixaremos que derrubem a Democracia que em Coimbra se semeou», rematou José Machado.
AAC quer levar moção às entidades
Depois da apresentação formal da Moção Geral, José Machado avança que o próximo passo será levar o documento às «entidades pertinentes, como a Reitoria da Universidade de Coimbra, Presidência da República e instâncias europeias». O objetivo é «sensibilizar, consciencializar e transformar a nossa sociedade», defendeu o estudante, expectante que a voz da Academia possa ser ouvida nas decisões políticas acerca do ensino superior.









