
Técnico detido por roubar lâminas de sangue em cobre para vender
Um homem de 66 anos, funcionário do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) de Coimbra, foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) na quarta-feira, por ser suspeito da prática dos crimes de peculato, corrupção de substâncias alimentares ou medicinais e/ou de propagação de doença, alteração de análise ou de receituário.
Em comunicado, a PJ esclarece que, com esta atuação do suspeito, «em causa poderá estar a contaminação dos componentes sanguíneos produzidos, dado que o visado subtraía e manipulava indevidamente lâminas novas e usadas de conexão estéril para tubuladuras, utilizadas em equipamentos de produção de produtos sanguíneos (pools de plaquetas)».
Ao que foi possível apurar, o detido usava as lâminas (de cobre) novas e colocava as que não serviam ou já tinham sido usadas (e que fazia com que parecessem novas) ao uso. Algumas das usadas seriam também para venda. Este mau uso contamina o sangue e levanta questões «muito complexas», explicou fonte da Polícia Judiciária ao Diário de Coimbra. E os responsáveis do IPST ao aperceberem-se que algo não estava bem, denunciaram a situação às autoridades.
Não se sabe ao certo durante quanto tempo cometeu este crime, apenas foi participado pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação à PJ em janeiro que, de imediato, iniciou a investigação. Aliás, a Judiciária destaca a «grande colaboração» do IPST, numa investigação sobre uma «matéria muito sensível».
Questionado sobre a duração da atividade do suspeito e a quantidade dos materiais subtraídos, não foi possível saber, revelando a PJ que a ação do técnico já decorreria «há algum tempo».
Aliás, o técnico de sangue desde sempre esteve ligado a esta área, embora não tenha sempre estado a trabalhar naquele serviço.
Sendo as pool de plaquetas produzidas em ambientes estéreis e asséticos, o suspeito revelou «despreocupação sobre a violação de procedimentos em termos de manipulação e segurança laboratorial», embora a investigação não tenha encontrado, até ao momento, uma explicação para esse comportamento, revelou.
A investigação vai continuar para perceber se quem adquiriu o referido material violou a lei, dado que a venda e aquisição de metais como o cobre é regulada. «E também temos trabalho para tentar perceber a durabilidade deste procedimento e a eventual intervenção de terceiros. O importante foi cessar isto com urgência, mas a investigação vai prosseguir, vai-nos ser dado mais algum tempo para fechar o ciclo», adiantou ainda.
No âmbito dos mandados de busca, foram apreendidos significativos elementos probatórios relacionados com a atividade ilícita em causa.
Este “esquema” rendia uma verba extra ao suspeito, considerado pelas autoridades como «um bom auxílio ao vencimento». «Será uma consequência da preocupação máxima de tirar proveitos económicos», acrescentou.
O detido vai ser hoje presente a primeiro interrogatório judicial no Tribunal da Comarca de Coimbra, a fim de lhe serem aplicadas as medidas de coação.












