No Avião, A Saudade
Abril 21, 2026 . 10:00
“O mundo, agora, é aquele espaço mínimo e absoluto entre os dois; um território feito de presença, de memória e de continuidade. À espera está a casa, o país, os caminhos onde tudo tem nome e história” | Texto de Opinião de Helena Freitas
Vêm de um tempo antigo, de uma geografia feita de terra nas mãos, de gestos repetidos com a paciência de quem conhece o valor das coisas simples. Vêm de dias que começavam antes do sol nascer e se prolongavam até ao cansaço manso do fim da tarde, quando o corpo cedia, mas o espírito permanecia quieto, em paz. Há neles uma lentidão que não pertence à idade, mas a uma forma de viver onde o tempo não se mede em urgência, mas em permanência. Sentam-se lado a lado no avião que nos traz de Paris, como se aquele gesto, simples e repetido ao longo de décadas, fosse já uma maneira de resistir ao mundo que mudou à sua volta sem pedir licença.
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