O meu testamento
Abril 19, 2026 . 10:02
"Os meus livros eram o meu ópio, para lá do próprio ópio, cansados, manipulados, desalinhados sobre os meus poucos móveis, surgindo em cada canto, às vezes na cama, às vezes no chão." | Texto de Opinião de Manuel Seixas
Morte, enterro, testamento - três palavras fortes, lógica e frequentemente associadas.
Também eu, Camilo de Almeida Pessanha, deixei uma herança, embora o meu maior legado fosse aquele que alimenta os sonhos da humanidade - a minha arte, a escrita, a minha poesia.
Ainda eu não arrefecera e a terra não tinha abatido sobre o meu corpo na modesta sepultura do cemitério de S. Miguel Arcanjo em Macau, já a minha companheira Kuoc Ngan Yeng - Águia de Prata - se apresentava nas instâncias apropriadas reclamando o que era seu, por testamento, aliás, quase tudo do que, materialmente, eu dispunha. Mas não a minha biblioteca!
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