Sete dias por semana
Abril 18, 2026 . 13:22
"A incapacidade revelada pela Assembleia da República em eleger um novo Provedor de Justiça é bem reflexo do estado a que chegou a política portuguesa" | Opinião de João Luís Campos, diretor-adjunto do Diário de Coimbra
- Igreja Católica. A eleição, esta semana, de D. Vírgilio Antunes como o novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa é, antes de mais, um reconhecimento pelo trabalho que tem vindo a fazer como Bispo de Coimbra, onde apostou numa postura de grande proximidade junto da comunidade. É também um sinal de grande confiança por parte dos seus pares numa altura em que são muitos os desafios a que a Igreja Católica tem de dar resposta, como o caso dos abusos sexuais, a necessidade de maior transparência e a carência de sacerdotes, entre outros dossiês igualmente “pesados”.
- Parlamento. A incapacidade revelada pela Assembleia da República em eleger um novo Provedor de Justiça é bem reflexo do estado a que chegou a política portuguesa. Há quase um ano que está por ocupar um lugar bastante relevante no que diz respeito à defesa dos cidadãos. Colocando as pequeninas lógicas partidárias à frente dos interesses das populações, estão os nossos deputados a revelar quais são as suas prioridades. Uma reforma eleitoral, em que fosse possível escolher, um a um, os candidatos em que votávamos pelo nosso círculo iria, acredito, responsabilizar mais os eleitos e melhorar, de modo geral, a qualidade dos mesmos. Se juntarmos a decisão, agora conhecida, de tornar secretos os financiadores partidários…
- Nomeações. No mesmo dia em que se falhou a eleição do Provedor de Justiça, avançou-se na constituição do Conselho de Estado e de um conjunto de órgãos que incluem elementos nomeados pelo Parlamento e pelo Presidente da República. Da Região de Coimbra, destaque para a nomeação, para integrar o Conselho de Estado, de Isabel Capeloa Gil, Reitora da Universidade Católica Portuguesa, que é do concelho de Mira, bem como dos advogados de Coimbra Luís Filipe Pereira (nomeado pelo Presidente da República) e Alfredo Castanheira Neves (nomeado pelo Parlamento por indicação do PSD) como vogais do Conselho Superior de Magistratura.
- Internacional. Apesar dos desvarios de Donald Trump continuarem (esta semana até o Papa Francisco atacou), internacionalmente a semana ficou marcada por algumas “boas” notícias. A estrondosa derrota do ultranacionalista Viktor Orbán (“amigo” do populista Trump e do ditador Putin) poderá desbloquear alguns assuntos importantes na União Europeia que aquele populista vinha travando. O acordo de cessar-fogo entre Israel e o Líbano abre uma importante janela de esperança no Médio Oriente e o anúncio, ontem, da reabertura do estreio de Ormuz é também uma notícia que vai no rumo certo, de acalmia dos “mercados”.
- Sinistralidade. A reativação da extinta Brigada de Trânsito da GNR é uma das medidas esta semana anunciadas para tentar suster os tremendos níveis de sinistralidade rodoviária, ao mesmo tempo que se prometeu um novo Código da Estrada e o fim do anúncio dos locais e datas das operações STOP. A fiscalização e repressão certamente ajudarão mas não serão suficientes. Só quando se olhar com frontalidade para o atual parque automóvel, para o estado das estradas e para a falta de iluminação em muitas vias bastantes movimentadas (os ministros deviam fazer o IP3, à noite e com chuva, e sem motorista) se vai encarar este drama com seriedade.
- Futebol. A Briosa levou às bancadas do Estádio Cidade de Coimbra mais de 10 mil adeptos, estabelecendo um novo recorde de assistência na Liga 3 na presente temporada. O empate frente ao Amarante deixa tudo na mesma na luta pela subida à liga 3 e amanhã há nova final frente ao Belenenses, igualmente em Coimbra. Nas outras divisões, à medida que se aproxima o final da época, o Oliveira do Hospital está bem posicionado para lutar pelo regresso à Liga 3 e o Nogueirense tem vindo a reforçar a sua liderança entre a elite distrital.
- Carnaval. Finalmente, foi fora de época, é certo, mas não deixou de se fazer e assim, não se “deitou fora” o grande empenho das diferentes escolas e associações na preparação dos corsos carnavalescos. Na Figueira da Foz, e em Miranda do Corvo a festa fez-se em abril mas ainda foi a tempo. Apesar de algumas ameaças de chuva, o sol acabou por brindar os foliões de primavera.
Abril 18, 2026 . 13:22








