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“A Paz esteja convosco!”

Abril 17, 2026 . 12:45
"Num tempo de lideranças ruidosas e de discursos polarizados, talvez seja precisamente esta a mensagem mais subversiva: a de que a verdadeira autoridade não se impõe pela força, mas se reconhece na capacidade de gerar encontro." | Texto de Opinião de Nuno Castela Canilho

A narração bíblica da primeira vez que Jesus Cristo apareceu aos discípulos depois da Sua morte e da Sua Ressureição descreve, segundo o evangelista João, que a saudação do Ressuscitado foi “A Paz esteja convosco!”. Jesus não terá entrado naquela casa de portas fechadas a gritar “Vingança!”, nem a exigir que se organizassem para “obliterar” romanos e judeus, bombardear o pretório ou raptar a esposa de Pilatos! Não! “A Paz esteja convosco!” terá dito Jesus há quase dois mil anos.
Esta saudação de Cristo, repetida ao longo dos séculos na liturgia e na vida quotidiana dos cristãos, está longe de ser uma fórmula vazia. É, antes de mais, uma afirmação profundamente política, teológica e cultural. Não no sentido partidário do termo, mas no sentido mais exigente da construção da cidade humana.

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