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“Burlão dos telhados” confessa crimes por vício no jogo no Casino

Acordou trabalhos de construção civil e recebeu sinal dos clientes, mas nunca chegou a realizar os trabalhos. Durante um ano, apropriou-se indevidamente de mais de 113 mil euros com os quais alimentava o vício do jogo

Um “profissional” da burla. Pode resumir-se assim o perfil do homem que ontem começou a ser julgado no Tribunal de Coimbra. Com antecedentes criminais e condenações pesadas (em 1998 foi condenado, em Braga, a pena única de 14 anos de prisão efetiva, por múltiplos crimes de burla agravada), o arguido, com 53 anos e natural de Figueiró dos Vinhos, responde, só no âmbito deste processo, por 28 crimes de burla qualificada.

Tudo, como confirma o Ministério Público, e o arguido confessou durante a primeira sessão de julgamento, para «satisfazer o vício do jogo» que é de tal ordem que, entre 1 de janeiro de 2024 e 27 de maio de 2025 este homem (que está em prisão preventiva em Aveiro, desde que foi preso em julho) esteve «numa regularidade quase diária no Casino da Figueira», onde realizou transações na ordem dos 31.500 euros e auferiu prémios de 123.550,67 euros.

Muito graças ao esquema que montou e que está na origem deste processo, no qual são relatados factos referentes a 28 vítimas, residentes em várias localidades do distrito.

Arguido burlava para poder satisfazer vício do jogo. Casino da Figueira da Foz era paragem diária do homem condenado

Entre maio de 2024 e, pelo menos, 24 de abril de 2025 o arguido «abordou sistematicamente diversos ofendidos divulgando a realização de serviços de lavagens e impermeabilização de telhados, bem como serviços de pintura, construção civil e outros similares, deslocando-se à residência dos ofendidos e distribuindo panfletos publicitários nos quais anunciava a prestação desses serviços, com a promessa de “orçamentos grátis”», avança a acusação.

Através deste esquema abordou as vítimas, comprometeu-se com trabalhos, pediu verbas avultadas como sinal e, muitas vezes, dinheiro extra, alegando que precisava de comprar mais material.

Chegou, num dos casos, a pedir 2.500 euros emprestados para comprar uma carrinha (que nunca devolveu) mas, na verdade, «nunca teve a intenção de levar a cabo ou finalizar» nenhuma das obras orçamentadas e contratualizadas.

Em alguns casos, chegava a deixar material nas residências ou a pedir a terceiros para se apresentarem, pelo menos uma vez, em casa dos alegados clientes, para dar a ideia de que os trabalhos iriam iniciar.

Pura ilusão, porque depressa arranjava desculpas para não aparecer no local ou deixava, pura e simplesmente, de atender o telefone.

Ao todo fez 28 vítimas, residentes em Coimbra, mas também Montemor-o-Velho, Condeixa-a-Nova ou Figueira da Foz, lucrando qualquer coisa como 113.151 euros, dinheiro que com o qual alimentou o seu vício no jogo, no Casino da Figueira, onde fez vários «pagamentos e levantamentos», avança o Ministério Público.

Ontem, o arguido confessou a totalidade dos factos constantes da acusação perante o Coletivo de Juízes, no Tribunal de Coimbra que, face à confissão, já marcou para dia 20 a leitura da sentença.

Alerta à PJ dado em fevereiro de 2025 por uma das vítimas

O esquema do arguido terá começado em junho de 2024, em Montemor-o-Velho, mas a Polícia Judiciária só tomou contacto com ele em fevereiro de 2025, após queixa de uma das vítimas, residente em Condeixa-a-Nova. O arguido abordou a alegada cliente em novembro de 2024 comprometendo-se, com contratualização de serviços, a lavagem de telhados, pintura geral e de muros e portões.

Ao longo de mais de três meses (entre 20 de novembro de 2024 e fevereiro de 2025, altura em que a vítima fez queixa na PJ) o indivíduo foi-lhe pedindo dinheiro alegadamente «para compra de materiais». Os 15 mil euros do orçamento inicial transformaram-se em 23.400 euros transferidos pela vítima, sem que o arguido tenha realizado «nenhum dos trabalhos acordados com a ofendida, nem adquirido qualquer material» com a referida quantia.

Abril 14, 2026 . 08:02

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