
Valdemar e Cristina já ultrapassam uma década de Festa
Ao longo dos anos, a Festa do Basquetebol tem sido marcada pela continuidade, mas também por transformações. Através dos testemunhos de Valdemar Ferreira e Cristina Monteiro, ambos com vários anos de ligação ao evento, emergem visões sobre a evolução, o impacto e o significado desta competição.
Valdemar Ferreira vai a Albufeira desde que a Festa aqui se realiza . Com 14 anos de presença consecutiva, o treinador de 65 anos da equipa Sub-16 feminina de Coimbra e que é natural de Angola, tem uma perspetiva marcada pela experiência acumulada. Para si, a principal transformação está na evolução estrutural do evento.
«Há melhorias, naturalmente, nas acomodações, na forma como a organização está montada, nos circuitos, nos transportes», destaca, sublinhando que os problemas iniciais - sobretudo ao nível da logística - foram sendo resolvidos com o tempo: «Nas primeiras edições não corria tão bem. Hoje, não há atrasos».
No plano desportivo, identifica um crescimento claro da exigência e da visibilidade. «Cada vez há mais noção de que isto é um grande palco do basquetebol de formação», afirma, referindo também que «há muitos olhos focados aqui».
No seu caso pessoal, a ligação e permanência constante no evento está profundamente enraizada numa vida dedicada à modalidade: «O que me move é a paixão pelo basquetebol». Com mais de quatro décadas como treinador, assume a formação como a sua principal motivação: «É a minha praia».
Cristina Monteiro está
na Festa pela 12.ª vez
Já com 12 anos de idas a Albufeira, a dirigente das Sub-16 femininas relatou como esta Festa serve para promover o convívio entre os jovens.
Para Cristina, a essência do evento pouco mudou ao longo do tempo: «O ambiente é sempre o mesmo». E reforça a ideia de identidade: «O nome da festa está muito bem posto. Porque de facto é uma festa para os miúdos, embora sejam também dias de muita competição, no quais queremos sempre entrar em campo para vencer». A treinadora sublinha que, apesar de haver algumas diferenças geracionais, os valores se mantêm, especialmente no que toca à responsabilidade competitiva. «Eles vêm representar o distrito», afirma, acrescentando que a presença no torneio deve ser encarada como um privilégio: «Há muitos meninos e meninas que gostariam de estar no lugar deles».
No que diz respeito ao convívio, rejeita a ideia de que as novas tecnologias estejam a prejudicar significativamente as relações entre os jovens. Pelo contrário, acredita que o contexto do evento favorece a interação direta, até porque existem regras claras: «Restringimos o uso do telefone».
O efeito é visível rapidamente: «Ao fim de dois dias, elas e eles já nem se lembram que o telemóvel existe». Em substituição, surgem experiências partilhadas, novas amizades e até relações típicas da idade: «Arranjam amigos. E namorados também».
Os testemunhos convergem numa ideia central: a “Festa do Basquetebol” continua a ser um espaço único, no qual a competição e convívio coexistem.
Se, por um lado, há uma evolução clara ao nível organizativo e competitivo, por outro mantém-se intacto o espírito que define o evento, um equilíbrio entre exigência desportiva e crescimento pessoal, vivido intensamente por cada geração de atletas.











