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Casal assaltava carros quando os donos visitavam cemitérios

Julgamento que envolve cerca de uma dezena de casos marcado pelo silêncio dos dois arguidos. “Atacavam” também os carros que estavam estacionados perto dos terrenos agrícolas

Um casal de ladrões aproveitava o momento de visitas aos cemitérios para assaltar automóveis, levando carteiras, telemóveis e dinheiro.

Apesar de residirem em Águeda, os dois arguidos (ele com 64 anos e ela com 53) atuavam especialmente na região de Coimbra e Cantanhede onde em poucos meses (no primeiro semestre de 2025) efetuaram quase duas dezenas de furtos a viaturas.

Escolhiam especialmente os cemitérios mas também os campos agrícolas.

Os dois ficaram em silêncio, esta semana, no início do julgamento no Tribunal de Coimbra onde respondem quer pela prática dos crimes de furto qualificados mas também pela prática do crime de abuso de cartão de garantia ou de cartão, dispositivo ou dados de pagamento, na maioria dos casos apenas na forma tentada.

Foi o que aconteceu, segundo o despacho de acusação do Ministério Público, junto aos cemitérios de Febres (15 de janeiro), Lemede (24 de fevereiro), Outil (22 de fevereiro), Ribeira da Mata (14 de março), Covões (16 de março), Botão, Mealhada (15 de fevereiro), Botão, Souselas (17 de maio), Tentúgal (30 de maio) e Ameal (7 de junho).

 

Em todos estes casos partiram os vidros dos carros ou abriram a porta quando estavam destrancados, furtando carteiras e telemóveis. 

Em seguida iam a uma caixa multibanco onde tentavam “adivinhar” o código pin até que a máquina recolhia o cartão.

Num dos casos (o de Ameal) o casal teve sorte e adivinhou o código de dois cartões fazendo vários levantamentos e pagamentos num valor global de quase 2.500 euros.

Além dos cemitérios, a dupla também fez o mesmo a outras oito viaturas que estavam estacionadas em estradas agrícolas quando os seus proprietários estavam a trabalhar no campo.

Como resume o Ministério Público, o plano de ambos passava por se «apoderarem de dinheiro, cartões de multibanco e outros bens de valor existentes em veículos estacionados, pelos respectivos proprietários, em locais com reduzida visibilidade e circulação diminuta de pessoas e viaturas».

Seriam detidos no início de julho, pelos militares da GNR, que, na casa onde moram, em Águeda, encontraram malas, carteiras. telemóveis, talões de multibanco e outros bens associados à vaga de furtos. Ainda segundo o Ministério Público, os dois arguidos não tinham qualquer atividade profissional pelo que viviam do dinheiro proveniente desta atividade criminosa.

No caso do homem, já cumpriu pena de cadeia por factos semelhantes e tem outros julgamentos pendentes. 

Abril 12, 2026 . 08:30

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