
Setor leiteiro pede medidas urgentes para ser sustentável
O setor leiteiro atravessa um período de grandes desafios e mudanças e, nesse sentido, reclama junto do Governo medidas urgentes para se continuar a modernizar e ser sustentável.
«É urgente publicar o Regime de Regularização da Atividade Pecuária (RERAP), porque este diploma, atualmente em preparação, é a resposta que o setor aguarda para regularizar explorações, que operam em desconformidade legal não por negligência mas por falta de um enquadramento adequado. É um instrumento de bom senso, de justiça e de política responsável», afirmou José Marques.
O presidente da Lacticoop falava na sessão de enceramento do 2.º Encontro Técnico da empresa, que ontem decorreu nas suas instalações na Praia da Tocha e reuniu produtores, profissionais e decisores políticos e cujo objetivo fora refletir sobre o futuro do setor, partilhando problemas e tentando encontrar soluções.
«Foi um dia de trabalho intenso e rico em conhecimento, onde falámos de saúde animal e de segurança alimentar», referiu o responsável.
«Percebemos que o leite não é apenas um produto, é um alimento com história, ciência e com futuro. Ouvimos especialistas alertar-nos para o impacto das micotoxinas nas vacas leiteiras e discutiu-se a ameaça real da Dermatose Nodular Contagiosa e o seu impacto. E terminamos esta atividade com uma certeza renovada.
A tecnologia não é um inimigo do agricultor, é o seu aliado mais poderoso quando bem utilizada», precisou José Marques.
O responsável, aproveitando a presença da ministra do Ambiente e Energia na iniciativa, recordou que o Novo Regime do Exercício da Atividade Pecuária (NREAP) «nasceu com boas intenções mas tornou-se num obstáculo». «Um labirinto burocrático que impede crescimento, atrasa a modernização e congela investimentos».
Para Helena Teodósio, este tipo de ações contribuem para «melhorar práticas, introduzir inovação e gerar mais benefícios para os produtores», uma vez que «dão oportunidade a que se olhe a realidade com frontalidade, sem escamotear os problemas, os constrangimentos e os obstáculos, na busca de soluções concretas e realistas, mas também ambiciosas».
«Não há como ignorar que a produção leiteira atravessa uma crise bem visível nesta região, com um acentuado decréscimo da produção nos últimos 20 anos, uma tendência que de resto parece estar a agravar-se», adiantou a presidente da Câmara de Cantanhede.
A instabilidade geopolítica internacional e o decorrente aumento dos custos de produção essenciais à atividade agrícola e pecuária é algo que preocupa a autarca, afirmando a necessidade de «criar mecanismos de apoio que ajudem a mitigar estes custos, seja através de incentivos diretos, seja pela redução de encargos associados à produção».
A fechar a sessão, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, vincou que o «setor do leite é um dos pilares da agropecuária do país», reafirmando a disponibilidade do Governo em «trabalhar com os produtores e em conjunto encontrar soluções para o setor».










