
Lira de portas abertas quer ser laboratório de cultura
A vontade de fazer germinar novas ideias e de resgatar práticas e saberes enraizados no território motiva a ação do coletivo Lira que, no próximo fim de semana, abre as portas da antiga creche, pré-escolar e ATL da associação “O Emigrante”, devolvendo vida ao edifício. A Lira quer ser um espaço comunitário, assumindo-se como lugar de encontro e convívio entre todos aqueles que resistem à desertificação social e cultural dos contextos rurais.
Outrora espaço direcionado aos mais novos, onde funcionou como creche, pré-escolar e ATL, o edifício da Associação Centro Cívico Polivalente “O Emigrante”, da Camarneira, Cantanhede, encerrou definitivamente em 2019 porque, recorda Catarina Silva, «deixou de ter crianças» que permitissem o seu funcionamento.
Agora pretende ser uma Escola Comunitária Intergeracional, Intercultural e Interdisciplinar, que seja também um laboratório de reflexão e experimentação sobre práticas artísticas e educacionais em contextos comunitários. «A Lira procura desenvolver e usar práticas artísticas e metodologias de educação não-formal como ferramentas essenciais para a aprendizagem, participação comunitária e coesão social», explica o projeto em comunicado.
«Queremos ser um polo intergaracional que permita responder a este problema social da falta de jovens neste território e ao mesmo tempo integrar a população mais idosa», esclarece, sinteticamente, Catarina Silva, um dos membros do coletivo Lira, que reúne pessoas de diversas áreas, das artes à investigação, psicologia, animação social e até pessoas que, outrora, foram profissionais no espaço que agora reabre portas.
Este primeiro fim de semana é de experimentação, chamando a comunidade a participar e ouvindo o que tem a dizer e a sugerir para a dinamização do espaço. «Estamos a começar, queremos auscultar a comunidade», diz Catarina Silva, admitindo que o grupo já tem ideias para dinamizar o espaço, nomeadamente através de residências artísticas e apresentações de artistas, numa lógica de «laboratório de cultura comunitária».
Prioritariamente, o público-alvo centra-se sobretudo nos jovens e na população sénior. Entre as atividades previstas está a realização de oficinas artísticas intergeracionais, de teatro, música, artes visuais, escrita e gastronomia, criação de grupos comunitários estáveis e coesos, residências artísticas e de investigação em diálogo com o território, eventos comunitários que permitam a partilha e troca de saberes e culturas e produção de materiais, exposições e debates públicos.












