
Oito pedrinhoangos revelam emoções de crianças internadas
São oito “pedrinhongos” criados por crianças internadas no Hospital Pediátrico de Coimbra que transformaram um pedaço de madeira numa obra de emoções. Oito personagens que é possível conhecer na Biblioteca Municipal Comendador Montenegro, na Lousã, onde a associação Pedrinhas dá a conhecer, pela primeira vez ao público, um dos trabalhos que resulta do projeto Pedrinhar’te”, que a associação desenvolve no Hospital Pediátrico de Coimbra.
Os “pedrinhongos” – seres que representam emoções, vivências e histórias pessoais, traduzidas em criações artísticas – nasceram a partir do projeto Pedrinhar’te que trabalha sobretudo as emoções das crianças internadas. A inspiração para as atividades foi dada pelo projeto piloto semelhante que decorre no IPO de Lisboa, por iniciativa da Universidade Católica, que se articula como a Pedrinhas para que seja possível, também no Hospital Pediátrico de Coimbra, desenvolver semelhante projeto. «Estamos em articulação com este projeto piloto e foram-nos prescritos oito livros para trabalharmos as emoções», explica Ana Brazião, presidente da associação Pedrinhas, destacando que este é um projeto a desenvolver até 2027, que conta o apoio da Inovação Social e de 15 investidores sociais.
Pedaços de madeira ganharam emoções e estão em exposição
Na prática, há uma equipa que regularmente visita as crianças internadas no hospital com as mais diversas patologias e que, através de um dos oito livros do projeto, trabalha as emoções. «Vão falando das várias emoções e termina com a resolução de problemas, que é dar capacidade às crianças de lidarem com as situações que estão a viver», explica ainda Ana Brazião.
Os “pedrinhongos” nascem porque «essas emoções são passadas para uma estrutura real». Na verdade, trata-se de pedaços de madeira que, depois de trabalhados, resultam em «peças de autor». «Pedrinhongos de autor», como lhe chama Ana Brazião, que dá exemplos de emoções tratadas: o medo, a alegria, o amor…
A nível prático, o objetivo é claro: «fazer atividades artísticas com as crianças internadas». No entanto, o projeto vai muito mais longe, pretendendo, desde logo, ajudar a desfocar da doença. «Se as crianças tiverem atividades que são particularmente sedutoras vão desfocar do ambiente hospitalar», diz Ana Brazião, destacando igualmente que por esta via se ajudam as crianças a «passar do ambiente hospitalar e gritar para fora». «Transformar este momento em arte é dizer que estamos num contexto fechado, mas conseguimos transportar as emoções para um objeto que sai as fronteiras do hospital», reflete.
Pela primeira vez, o salto para fora do hospital dá-se para a Lousã, uma localização que não é ao acaso, tendo em conta que a associação tem sede precisamente na Lousã e, como diz Ana Brazião, «fazia todo o sentido» que assim fosse. E é, pois, por esta mostra, que os visitantes são convidados a conhecer este trabalho da associação e, ao mesmo tempo, perceberem a importância do apoio emocional em contexto hospitalar. «Pedrinhar’te é um convite à empatia, à partilha e à valorização das emoções, reforçando o papel da arte como instrumento de transformação e cuidado», refere a associação, num apelo à visita, que pode ser feita até 20 de abril.
Projeto é desenvolvido por crianças internadas
Depois da exposição, em momento ainda não definido, Ana Brazião espera que os oito “pedrinhongos” possam ser conhecidos no espaço público das localidades de origem das crianças que os criaram. Isto porque já está em desenvolvimento um projeto para transformar para mural de azulejo o trabalho dos pequenos autores.












