Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Aecoimbra 20260528
Pub Dc Rfm Somnii 20260527
Legua Dc
Pub

Entre o real e ficção, história de Luiza de Jesus roda em Penacova

Presa e acusada da morte de 34 bebés, história da última condenada à morte em Portugal está em gravação. Uma narrativa “emocionalmente difícil” para conhecer no início de 2027

1772. Luiza de Jesus, uma jovem nascida na freguesia de Figueira de Lorvão, enfrenta a justiça acusada do assassínio de 34 bebés abandonados na Roda dos Expostos em Coimbra. O Corregedor de Coimbra tem três meses para investigar e o caso torna-se uma sensação mediática. Luiza de Jesus acaba condenada. É a última condenada à morte em Portugal.

Entre Penacova, Coimbra e Lisboa desenrolam-se as cenas de uma filme que tem tanto de real como de ficcionado. Luiza de Jesus foi uma inquietante figura do século XVIII que o realizador Frederico Serra e a produtora Cinemate se propuseram a conhecer melhor e ficcionar numa narrativa que estará nas salas de cinema no início do próximo ano. Por agora, decorrem as filmagens e nesta altura é em Penacova - entre locais tão emblemáticos do concelho como o Mosteiro de Lorvão, as margens do Mondego e o Vimieiro - que se conta a história de vida da jovem que, revelam os autos da Torre do Tombo, teve uma morte violenta em Lisboa, onde foi torturada e queimada já depois de morta, mas pouco se sabe sobre as suas motivações para ter cometido tão hediondos crimes. Aqui entra a ficção.

O realizador Frederico Serra fala num «desafio» que está a ser a produção desta longa metragem, que não enquadra em filme de terror, antes numa narrativa «desconfortável e emocionalmente difícil». «O desafio é pegar nesta história, que tem um julgamento fácil, que é condenar estes atos monstruosos, e criar um enredo que permita que não sejamos tão simplistas na tomada de posição e possa haver espaço para avaliar contextos sobre a forma como as coisas foram efetuadas», explica o realizador, frisando que pouco se sabe, na verdade, sobre a vida desta mulher. «A partir do momento que foi presa e condenada, sabemos apenas três meses da vida desta mulher. Sabemos que tinha 23 anos e nasceu na freguesia de Figueira de Lorvão, sabia ler e escrever, o que era raro. O resto, o que se passou durante a vida dela, foi ficcionado», explica.

“O meu nome é Luiza de Jesus” narra, por isso, a história de uma rapariga que cresceu num ambiente adverso para culminar na sua condenação. A atriz Paula Magalhães veste a pele desta Luiza que assume como sendo o maior desafio profissional da sua vida. «É um papel que se tem uma vez na vida, é uma oportunidade que às vezes nem uma vez na vida se tem, por isso estou muito grata», comenta, revelando que «a história está escrita para o público poder sentir, ou não, alguma empatia pela personagem».
Nuno Lopes é o Corregedor de Coimbra, o homem a quem cabe, num espaço de três meses, «arrancar» uma confissão a Luiza. «Um dos principais desafios é o tom do filme. Estamos a falar de uma pessoa que supostamente matou dezenas de bebés e, portanto, é difícil perceber em que ponto é que queremos que o público seja empático com essa pessoa», afirma o ator. «Gosto desta ideia de se construir uma ficção a partir da realidade e não apenas de ficcionar a realidade, de construir uma outra história para além do que existe na verdade», explica ainda.

“O meu nome é Luiza de Jesus” permanece em gravações em Penacova até 11 de abril, já depois de ter gravado em Coimbra, rumando a seguir a outras paragens: Lisboa, Mafra e Loures. Além de Paula Magalhães e Nuno Lopes, o elenco deste thriller inspirado em eventos reais inclui também Rita Poças, Miguel Nunes, Miguel Cunha, Júlia Valente, entre outros, num total de 32 atores. As irmãs Madalena e Luísa Guanilho interpretam Luiza de Jesus com 7 e 12 anos, respetivamente. Há ainda a somar mais de três centenas de pessoas em figuração e papéis secundários, recrutados na comunidade local, o que, de resto, a produção, a cargo da Cinemate, fez questão.
O filme foi escrito por Rita Roberto, após um intenso trabalho de investigação nos poucos documentos existentes sobre o caso na Torre do Tombo e junto de historiadores e investigadores.

 

Comunidade envolvida em figuração e até papéis secundários

O desafio foi lançado à comunidade e as respostas foram muitas. Quer para papéis de figuração, quer para personagens secundárias, são muitos os locais envolvidos em “O meu nome é Luiza de Jesus”. Constança Costa, enfermeira, natural de Penacova, é uma das participantes como atriz secundária e, ao Diário de Coimbra, revela como está a ser «particularmente gratificante» poder participar num projeto associado à sua terra. «Esta experiência adquiriu um valor acrescido por ter sido partilhada com a minha filha, que integrou a figuração», diz ainda. Além do «simbolismo pessoal», Constança Costa diz ainda que leva consigo «uma experiência de bastidores verdadeiramente marcante». «Mais do que as luzes e as câmaras, o que mais me impressionou foi o espírito de colaboração e o cuidado constante com os detalhes», revela. |

 

Indústria cinematográfica como promoção importante para o concelho

«Tínhamos de estar disponíveis para receber uma produção destas, com atores conhecidos, com um enredo interessante», defende Álvaro Coimbra, presidente da Câmara Municipal de Penacova, convicto de que «a indústria cinematográfica pode ser uma promoção importante para o concelho». Segundo o autarca, a partir do momento que se identificam as paisagens onde decorrem as gravações de “O meu nome é Luiza de Jesus”, como as margens do rio Mondego, a Livraria do Mondego, o Mosteiro de Lorvão, a praia do Vimieiro e o Vale da Chã, «existe a curiosidade de visitar depois estes locais». «É também este o desafio que deixamos a outras produtoras e a outros filmes que tenham em carteira, para que venham até Penacova descobrir estes cenários naturais que são propícios para a realização de grandes produções».

 

Abril 7, 2026 . 07:50

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right