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Novo avião da Escola de Aviação da Figueira da Foz recebido em festa

Aproveitando o batismo do aparelho destinado a instrução, o piloto Humberto da Cruz pediu em 1938 esforços para desenvolver o campo de aviação

Foi motivo de festa a chegada à Figueira da Foz, ao final da manhã de 25 de agosto de 1938, de um “avião escola” Taylorcraft, «com 110 quilómetros de velocidade de cruzeiro e duplo comando», destinado à Escola de Aviação Civil Salazar, que operava no aeródromo Humberto Cruz.

O pequeno aparelho, a que foi dado o nome “Figueira da Foz”, aterrou pouco depois das 11h00 no campo de aviação que fora inaugurado em 1932 na ilha da Morraceira, trazendo a bordo o piloto furriel António Baleizão e Artur Teixeira, diretor da escola figueirense de aviadores.

À sua espera encontravam-se «muitas pessoas que se tinham feito transportar em automóveis», várias autoridades civis e militares e também os tripulantes de seis aviões “Potez” e do “Dilly” – o aparelho “De Havilland Leopard Moth”, do Grupo de Aviação de Alverca, pilotado por Humberto da Cruz na histórica e pioneira viagem a Timor de 1934 –, que «voavam em direção ao norte e desceram no campo de aviação da Figueira da Foz», abrilhantando a festa com a sua presença.

O correspondente do Diário de Coimbra na Figueira da Foz relatou detalhadamente a «interessante Festa de Aviação» organizada para o batismo do novo “avião escola”, de que era madrinha Amália Bastos Costa e Silva, irmã do malogrado aviador figueirense Alberto Bastos Costa Silva.

Antecedendo a cerimónia, o instrutor e um aluno da Escola de Aviação Civil Salazar fizeram «algumas demonstrações de manobras de um aparelho particular que se encontrava aterrado no campo». Depois, o piloto militar Humberto da Cruz, um dos heróis da aviação nacional, com ligações a Coimbra e à Figueira da Foz, saudou os convidados e «manifestou o seu ardente desejo de que a aviação portuguesa se desenvolvesse, quer em número de aparelhos, quer em pilotos, quer, finalmente – o que é indispensável – no desenvolvimento dos campos de aviação» em Portugal.

«A frente do novo avião encontrava-se envolvida pela Bandeira Nacional; da hélice pendia a clássica garrafa de champanhe que a madrinha do “Figueira da Foz” quebra com uma pancada de martelo. Com este gesto simbólico está batizado o novo avião», registou, na edição de 27 de agosto, acrescentando que por já ser tarde ficaria adiado para o dia seguinte o “batismo do ar” de Amália Bastos.

Os «convidados tomaram, então, lugar em automóveis, dirigindo-se ao Hotel Reis, onde foi servido o almoço, numa grande atmosfera de à vontade». Nos discursos, o capitão Humberto da Cruz «declarou ao sr. presidente do município o seu ardente desejo de que visse coroados de êxito os esforços que, decerto, iria empregar para o desenvolvimento do campo de aviação da Figueira, pois prestaria com a sua ação um benefício, não só à Figueira, mas à Nação».

Rui Ramos, que poucos dias antes tomara posse como presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, aproveitou para expressar o seu desejo de «realizar alguma coisa de útil para o concelho» e encerrou o discurso com «entusiásticos vivas à aviação portuguesa e a Portugal».

«Terminado o almoço, foram os convidados conduzidos ao chalé do Turismo, na Serra da Boa Viagem, onde foi servido o café e donde regressaram depois de colherem do panorama deslumbrante as mais agradáveis impressões», completou o correspondente do jornal.

 

(Pode ler hoje esta e outras histórias e curiosidades na edição impressa do Diário de Coimbra. No nosso site estão também disponíveis mais de três centenas de páginas de memórias dos primeiros anos do jornal)

Ao aeródromo da Figueira da Foz foi dado o nome do piloto Humberto da Cruz, um dos heróis da aviação nacional

Abril 5, 2026 . 08:10

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