
Taveiro revive Queima do Judas
Uma pequena multidão juntou-se, hoje, a meio da manhã, junto à Capela de Taveiro, para assistir ao momento solene. Em sábado de Aleluia, procede-se à Queima do Judas. Não se trata, aqui, de castigar o apóstolo traidor, que vendeu Jesus Cristo por 30 dinheiros. Trata-se, sim, de pegar na figura bíblica para castigar alguém que, na freguesia, esteve longe de um comportamento exemplar.
Por isso mesmo foi julgado e condenado à força.
Mas não chega, é preciso fazê-lo imolar pelo fogo, numa tentativa de sanar definitivamente o mal. Mais, é necessário que “rebente”. Rebenta como castigo «pelo mal que fizeste», apregoa, numa ordem, o juiz, que enumerou um rol de crimes de que foi responável, entre os quais «promessas não cumpridas», «língua afiada», «rápido a apontar o dedo aos outros, mas lento a olhar para si» e sobretudo a fugir à responsabilidade «quando as coisas apertam».
Crimes que lesaram as gentes de Taveiro, «uma terra com vida, tradição e cultura», que se «vinga» assim das afrontas sofridas. «Para que sejas um exemplo», proclamava o juiz, com o boneco, feito de palha, em chamas. Seguiram-se os foguetes, rebentando a espaços, para cumprir a tradição, perante o olhar aprovador da população que se juntou no adro da capela.











