
Porto da Figueira vai lançar concurso de concessão da marina
O Porto da Figueira da Foz prepara-se para lançar, em breve, o concurso público para a concessão da Marina Atlântica, um projeto com vista à ampliação e requalificação daquela infraestrutura. Uma obra que prevê a construção de um cais dedicado, que vai permitir que navios de cruzeiro de pequeno e médio porte possam atracar. Ao mesmo tempo, permitirá aumentar o número de lugares de amarração, que passará dos atuais 350 para 460 lugares. «Estamos a trabalhar na concessão, esperamos que ainda seja possível este ano», declarou Teresa Cardoso, administradora do Porto da Figueira da Foz.
Enquanto não existe cais específico, os cruzeiros atracam no Porto numa zona próxima da Marina e a verdade, admite Teresa Cardoso, é que tem-se verificado «procura» por parte dos navios de turismo pela Figueira da Foz. No ano passado, numa primeira experiência, chegaram à cidade dois navios de pequena dimensão, que atracaram na reta final do ano. Para maio, e segundo Teresa Cardoso, está prevista a chegada de três novos cruzeiros, com capacidade para 300 pessoas, e no final do ano chegará um outro. «A procura revela que há interesse, que a Figueira da Foz tem potencial para poder desenvolver esta valência», explicou, convicta de que este é um setor – o do turismo de cruzeiros - «importante para toda a região». «Mesmo por curtos dias, trazem dinâmica à economia», afirma a administradora do Porto da Figueira da Foz.
“A procura revela que há interesse, que a Figueira da Foz tem potencial para desenvolver esta valência [cruzeiros]”, diz Teresa Cardoso
Enquanto não vê luz do dia este projeto de grande envergadura, começarão em breve trabalhos de conservação e modernização, um investimento no valor de 400 mil euros. «São obras que vão dar condições de segurança e dignidade para que a marina possa continuar a desempenhar as suas funções, enquanto não tivermos obras de ampliação», declarou a administradora, que conta ter esta obra concluída até setembro.
Transformar o Porto da Figueira numa referência nacional da náutica de recreio é uma das metas que a administração portuária quer alcançar. «Pode não ser tão importante para uns, mas é importante, sem dúvida alguma, para uma cidade, um território que vive deste tipo de economia: o turismo. Porque uma coisa é o porto comercial e, de facto, nós estamos focados em dar resposta a toda a atividade logística. Outra é saber tirar partido daquilo que é uma mais-valia como a marina, aproveitando todo o seu potencial para se conseguir ampliar o número de lugares e construir uma área que permita a atracagem de cruzeiros de pequena/média dimensão», frisa Teresa Cardoso.
A nova administração do Porto da Figueira da Foz nomeada pelo Governo, que assume ainda a gestão com o Porto de Aveiro, tomou posse há quatro meses, tendo iniciado funções durante um período conturbado devido a uma sequência de intempéries que obrigaram ao encerramento da barra durante semanas por causa da agitação marítima e originaram uma onda de críticas.
«Tivemos dias difíceis, nos meses de janeiro e fevereiro, que perturbaram a operação comercial do porto, mas também de todos os operadores e, obviamente, das indústrias que dependem do porto», afirmou Teresa Cardoso. Porém, a administradora quer construir uma «boa relação» entre o Porto da Figueira e a comunidade local para que entendam esta infraestrutura como uma «mais-valia» para o desenvolvimento económico regional e nacional.
Empreitada em curso no porto para aprofundamento e alargamento
Mal se registaram condições marítimas favoráveis, o porto da Figueira da Foz retomou os trabalhos de dragagem na barra e canal de acesso, que este inverno sofreu um forte assoreamento e impediu a infraestrutura de operar na plenitude, tendo já alcançado «resultados positivos» ao conseguir atingir uma «situação de normalidade».
Não obstante, um dos objetivos do porto passa por obter um aprofundamento do canal de navegação e o alargamento da frente de cais, de forma a permitir a receção de navios de maior dimensão. É nesse sentido que está a decorrer uma empreitada adjudicada à Mota-Engil e cuja conclusão está prevista para o final deste ano. A intervenção representa um investimento de 21,9 milhões de euros (ME), sendo cofinanciada por várias entidades, designadamente, através do Programa Sustentável 2030 (9,1 ME), da administração do Porto da Figueira da Foz (8,4 ME) e das empresas Operfoz, YLPort, Navigator e Celbi (4,4 ME).
«Queremos concluir estas obras e no futuro pensar noutros investimentos que têm que ser feitos no sentido de também garantir a estabilidade desta operação de entrada e saída dos navios na barra. Gostaríamos ainda de ampliar mais um bocadinho a frente de cais para termos mais área de expansão. Além disso, a nossa área de jurisdição não está só no lado do cais, mas também do outro lado do mar, que também precisa de ser tratada e vista de outra forma», sublinha Teresa Cardoso.











