De uma relíquia a outra
Abril 3, 2026 . 10:00
“Nenhuma prova material, por mais luminosa que seja, fará crer na historicidade da Ressurreição, mas se a fé é uma emoção tanto quanto uma convicção, que coração de crente não encontrará na contemplação do Santo-Sudário, entregue pela ciência ao seu divino mistério, uma fonte de lágrimas?” | Texto de Opinião de Cristina Robalo Cordeiro
Se, como escrevia Ernest Renan, “a admiração é histórica”, precisamos com efeito de mergulhar na atmosfera intelectual e moral dos anos 1880 para apreciar ainda A Relíquia (1887), romance de Eça de Queirós. Só o clericalismo reinante na época pode explicar e justificar o anticlericalismo, assaz primário, de que a obra dá testemunho. Enquanto em França triunfavam o cientismo e a República, com os seus arautos (Taine, Berthelot, Jules Ferry), a sociedade portuguesa tinha ainda dificuldade em libertar-se dos seus arcaísmos nos costumes como nas crenças.
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