
Regas de maio esperam-se garantidas após intervenção no dique de Casais
São cinco os municípios que vão beneficiar de 14 milhões de euros, diretamente do Estado, para dar conta dos custos da requalificação do território após a passagem do mau tempo de janeiro e fevereiro. Neste caso, Coimbra, Figueira da Foz, Soure, Montemor-o-Velho e Pombal são os visados, com a verba a ser dividida de forma «equilibrada» por todos.
«Temos, no futuro, de nos sentar todos à mesa, entre agricultores, presidentes [dos municípios], entidades responsáveis, para rever os modelos de gestão». Este será um dos próximos passos a realizar, segundo José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Até lá, o objetivo será mesmo a reconstrução e requalificação de estruturas.
«Aqui [Dique de Casais] estamos a preparar um canal seguro e com qualidade», que se espera capaz de diminuir os impactos de uma futura cheia que possa vir a “atacar” o território. «Não podemos pensar que não vai voltar a acontecer, o mais provável é que volte a existir uma cheia. Portanto, temos de trabalhar na altura de seca», sublinhou a ministra do Ambiente e da Energia, Maria Graça Carvalho.
Apesar de já ter indicado que a Barragem de Girabolhos vai avançar, após 10 anos de projeto estagnado, a ministra declarou que o concurso abre «em breve», talvez até «nos próximo dias», para garantir que a barragem possa funcionar o mais rapidamente possível. «Será uma infraestrutura com função energética, mas tem a capacidade de atrasar cheias e guardar água, o que é muito importante em situações mais complexas», referiu.
A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, destacou que o momento é de «felicidade» por se quebrar um ciclo de uma «década de espera». «Há projetos parados há uma década, é a norma, dez anos à espera para “desbloquear”. Desta vez conseguimos avançar com projetos e financiamento muito rápido, e é isso que se quer», principalmente para aproveitar os meses «com menos chuva para trabalhar nestas infraestruturas».
Também o assoreamento presenciado foi tema de debate, tendo sido realçadas as dificuldades dos agricultores em retirar as areias arrastadas pelo rio nos últimos meses, que acabaram depositadas nos campos no final das cheias. «Os nossos agricultores têm limite de financiamento a que se podem candidatar e isso é uma dificuldade que tem de ser ultrapassada com a ajuda do Estado», comentou Ana Abrunhosa, aproveitando para relembrar que a Praia do Rebolim está disponível para receber depósitos de areia.

«Não podemos pensar que não vai voltar a acontecer, o mais provável é que volte a existir uma cheia. Portanto, temos de trabalhar na altura de seca», sublinhou a ministra do Ambiente e da Energia, Maria Graça Carvalho
Pedro Pimenta, presidente da Cooperativa Agrícola de Coimbra, explicou, ainda, uma outra dificuldade dos donos agrícolas. «É necessário ter 30% da exploração danificada para poder fazer candidatura aos apoios. Há alguns produtores que têm, por exemplo, um hectare aqui em Coimbra e outros noutros locais, e não se podem candidatar porque não atingem a quota dos 30%», dificuldade que o responsável apela que seja resolvida.
No que toca a medidas efetivas, um dos destaques foi para a renovação das “bombas” em Montemor-o-Velho e a adição de uma nova. «[As comportas e sistema de bombagem] são uma solução que precisa de ser renovada. O financiamento que nos vai chegar nos próximos dias vai ser aplicado na aquisição de uma nova bomba e atualização dos sistemas existentes», admitiu José Veríssimo, presidente da Câmara de Montemor, que revelou a intenção de solucionar a “Ponte Militar”, que existe como «solução temporária» desde 2019, bem como uma segunda ponte do mesmo género.
Ainda em Montemor, o Centro Náutico, local muito afetado, já tem data para estar «reposto» e «funcional». «Esperamos ter tudo a postos até ao final de maio», revelou o autarca, rematando que estará «em condições de realizar o Campeonato da Europa», mesmo que não esteja a «100%».











