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Apagão

Abril 2, 2026 . 11:00
"O Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, que conheço pessoalmente e de quem me considero amigo – acho que é um reconhecimento recíproco -, estudou em Coimbra e foi meu colega na residência universitária da Alegria, está a percorrer um caminho que não me parece coerente com o estudante bolseiro que conheci" | António Vilhena

Portugal nem sempre merece os melhores dos seus filhos. E que Portugal é esse que decide escolher ou excluir? Que gente é essa que tem um bisturi para dividir entre o que se deve ler ou não? Quem outorgou esse direito que presume que este ou aquele autor não deve constar no Plano Nacional de Leitura?

Não acredito que a ideia / proposta tenha surgido de alguém do Plano Nacional de Leitura, embora tenha uma opinião crítica sobre este organismo. Vem isto a propósito de quererem retirar os livros de José Saramago de leitura obrigatória no ensino. No passado também ousaram fazer o mesmo a Luís de Camões, com critérios extremistas e eivados de anacronismo. Não teço comentários sobre os hábitos de leitura dos ministros que, normalmente, são políticos. Mas dos que conheço e com que privo, sei que a leitura é escassa, fica-se pelos jornais desportivos.

A ousadia de ter uma proposta que pode ser considerada como possibilidade para escrutinar o cânone e reduzi-lo ao sarro dos interesses que esconjuram com Cavaco Silva ou Sousa Lara, é inaceitável para se discutir a ideia obscena de apagar o único Prémio Nobel da Literatura da Língua Portuguesa

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