Apagão
Portugal nem sempre merece os melhores dos seus filhos. E que Portugal é esse que decide escolher ou excluir? Que gente é essa que tem um bisturi para dividir entre o que se deve ler ou não? Quem outorgou esse direito que presume que este ou aquele autor não deve constar no Plano Nacional de Leitura?
Não acredito que a ideia / proposta tenha surgido de alguém do Plano Nacional de Leitura, embora tenha uma opinião crítica sobre este organismo. Vem isto a propósito de quererem retirar os livros de José Saramago de leitura obrigatória no ensino. No passado também ousaram fazer o mesmo a Luís de Camões, com critérios extremistas e eivados de anacronismo. Não teço comentários sobre os hábitos de leitura dos ministros que, normalmente, são políticos. Mas dos que conheço e com que privo, sei que a leitura é escassa, fica-se pelos jornais desportivos.
A ousadia de ter uma proposta que pode ser considerada como possibilidade para escrutinar o cânone e reduzi-lo ao sarro dos interesses que esconjuram com Cavaco Silva ou Sousa Lara, é inaceitável para se discutir a ideia obscena de apagar o único Prémio Nobel da Literatura da Língua Portuguesa
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