
Ações de limpeza são prioritárias e há incentivos até 1.500 euros
O secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, não tem dúvidas: até ao verão, «é impossível remover» a totalidade da madeira caída nas zonas atingidas pelas tempestades, como tal, importa priorizar as ações de limpeza e garantir a diminuição de risco, antes da época crítica de incêndios florestais.
No concelho de Góis, onde visitou trabalhos de desobstrução da rede viária florestal em Aigra Velha, o governante destacou ações como a AIGP (Área Integrada de Gestão de Paisagem) 2.0, que prevê a atribuição de incentivos aos proprietários - que podem ir até aos 1.500 euros, caso a parcela tenha sido atingida na sua totalidade - para a limpeza dos terrenos.
Como explicou Rui Ladeira, o Governo disponibiliza um “bolo” de 40 milhões de euros para este programa, porque «a melhor defesa é a prevenção»
«Estas áreas mais suscetíveis têm de ter respostas mais rápidas, mais eficazes. E isso envolve todos, à escala local, regional e nacional, porque isto é um desígnio nacional, porque queremos garantir a proteção», sublinhou, acrescentando que «as condições legais e financeiras estão criadas para que os produtores e proprietários possam limpar».
No âmbito da visita a Góis, em que foi possível acompanhar, por exemplo, o trabalho de um robô em ações de limpeza, foram apresentados dados sobre a desobstrução da rede viária florestal, na sequência da tempestade Kristin, numa ação articulada entre a Região Metropolitana de Coimbra e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), estando, até ao momento desobstruídos cerca de 590 quilómetros, como explicaram José Lopes, da Região Metropolitana de Coimbra, e Luís Pita, do ICNF.
No terreno, têm estado equipas de sapadores florestais a limpar as vias afetadas pelas tempestades
Dos 16 municípios com necessidades, sete foram considerados prioritários (Miranda do Corvo, Pampilhosa da Serra, Góis, Lousã, Penela, Figueira da Foz e Condeixa), pedindo-se a identificação de troços da rede viária florestal com arvoredo caído ou em risco e troços com necessidade de máquinas de rasto.
Na primeira fase, foram identificados 372 quilómetros, estando em execução a segunda fase com 146 quilómetros, seguindo-se uma terceira fase com 178 quilómetros, sendo expectável que, no final das três fases, se ultrapassem os 900 quilómetros de rede viária florestal desobstruída, o que deverá acontecer em «duas/três semanas», salientou Luís Pita.
No processo de priorização de intervenção, salientou, «tudo o que tinham sido áreas ardidas nos últimos quatro anos e com mais de 500 hectares» foram excluídas.
Empenhadas nos trabalhos estão 38 equipas de sapadores florestais.
80% da rede viária afetada desobstruída
Na sequência da tempestade Kristin, Góis teve uma área total de 400 quilómetros de rede viária florestal afetada e, nesta fase, 80% já está desobstruída, salientaram Filipe Moreira, do Gabinete Técnico Florestal
do município, e o presidente da autarquia, Rui Sampaio.
«Com base neste trabalho colaborativo, priorizámos as intervenções», acrescentou Filipe Moreira, lembrando que 40% da rede viária do concelho sofreu o impacto da tempestade.
«Deparámo-nos com uma área muito considerável afetada no território de Góis », frisou.











