
Quem se chama Álvaro "é de certeza boa pessoa"
Quem se chama Álvaro «é de certeza boa pessoa», garantiram ontem uns poucos de amigos, unidos pelo nome próprio, se bem que também haja quem tenha Álvaro como sobrenome ou apelido. Em reunião anual, como fazem há 50 anos, juntaram-se cerca de 25 Álvaros, para um almoço de confraternização, que desta vez ocorreu no bar/restaurante da Casa do Pessoal do Hospital Geral (Covões).
O grupo dos Álvaros, fundado a 3 de setembro de 1976, é originário de Ribeira de Frades, onde há uns poucos, alguns que nem são família mas têm o mesmo sobrenome. É o caso, por exemplo dos Álvaros Banaco. Ontem estavam dois presentes, ambos da Ribeira, um com 52 anos e outro com 66, que têm o mesmo nome próprio e apelido mas nem primos são.
E, garantiram, não são caso único. Uma vez, contou o mais velho e organizador do encontro, as autoridades andaram na freguesia com um mandado de captura de um Álvaro Banaco, que morava precisamente na mesma rua, só que em números de polícia diferentes. «Perceberam que não era eu», pois vivia no 17 e o outro no 57. Também não eram familiares.

Por serem muitos os Álvaros da Ribeira de Frades decidiram conviver uma vez por ano. Contam-se históricas, convive-se, fazem-se amizades que perduram. Álvaro Barreto, de 54 anos, vem todos os anos de França para o encontro. Trabalha em Paris e vem de avião ou de carro, pelo menos há uma década, para rever os amigos Álvaros.
Chegaram a ser 65 Álvaros em confraternização, mas a média dos últimos anos anda entre os 25 e os 30. O âmbito geográfico alargou-se e já não se limita a Ribeira de Frades. Ontem, por exemplo, estava presente Álvaro Reis, residente em Eiras e estreante no convívio. De 29 anos, o mais novo do grupo, não conhecia ninguém e teve contacto e conhecimento pelas redes sociais. Juntou-se porque sabe que «os Álvaros são todos bons rapazes».
Uma coisa é certa: ali ninguém se engana nos nomes. Álvaro Coelho, de 74 anos, antigo médico nos Covões, coloca a questão do nome noutro patamar. O nome próprio «reflete a personalidade de cada um», tem uma força própria. Na origem do nome Álvaro, que supõe ser celta, vem de termos que significam “aquele que ajuda”, “atento” aos outros, ou “protetor”. Quanto ao grupo que se reúne há 50 anos, considera que é espetacular, fomenta relações de amizade e de estima.
O mais jovem a juntar-se ao convívio tem 29 anos e teve conhecimento do encontro pelas redes sociais
No convívio de ontem estavam também músicos, que acompanham as confraternizações desde sempre. A mulher de um dos Álvaros iria cantar. «Quero ver se isto nunca acaba», desejou o organizador Álvaro Banaco, porque já houve um ano ou dois em que não conviveram, porque quem tinha de organizar não o fez. Um problema que em princípio não terá repetição até porque, dizia um Álvaro, «o Álvaro Banaco vai ser eleito presidente vitalício».
Antes dos momentos de boa disposição, que parecem ser imagem de marca dos Álvaros, houve outros mais solenes. Antes do almoço foi prestada homenagem aos Álvaros falecidos, com uma romagem ao cemitério. O almoço anual realiza-se no último domingo de março e está aberto a todos os Álvaros, vivam onde viverem. Álvaro Banaco explica que o café Amoreira, em Ribeira de Frades, é geralmente ponto de encontro, mas deixou também o contacto pessoal (965 829 496), para quem se quiser juntar ao grupo de amigos.









