
“Obrigado” a quem salva vidas com o “gesto solidário” de dar sangue
Joana Moço tem apenas 20 anos e assim que completou 18 fez questão de tornar-se dadora de sangue. Estudante da Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Politécnico de Coimbra, esteve ontem no Centro de Sangue e da Transplantação de Coimbra, onde foi recebida em ambiente de festa e com direito a passadeira vermelha, num gesto de agradecimento a quem dá um pouco de si e do seu tempo num gesto que salva vidas.
Assim como Joana Moço, todos os dadores tiveram direito ao agradecimento por parte do CST, que fez questão de tornar o Dia Nacional do Dador de Sangue ainda mais especial, sem esquecer o bolo de aniversário e um lanche especial para os dadores.
Antes da dádiva de ontem - pela primeira vez, no Centro de Sangue e Transplantação de Coimbra -, Joana Moço já tinha dado sangue em «duas ou três» ocasiões anteriores, e até já tinha tentado noutras vezes, mas não reunia os critérios (ler texto abaixo).
A jovem estudante tem ainda uma particularidade especial que faz dela uma dadora universal e solidária. O seu grupo de sangue é 0 negativo, ou seja, pode doar a pessoas pertencentes a qualquer grupo sanguíneo, mas, em caso de necessidade, só pode receber 0 negativo.

Dar sangue «é um ato de generosidade». Quem o diz é também Joana Carvalho, de 26 anos, residente em Penacova, que, ontem, se deslocou ao Centro de Sangue e da Transplantação, depois de almoço, para contribuir. «Devemos pensar no outro, não só no Dia do Dador de Sangue ou quando vêm aquelas campanhas de alerta no Natal ou no Verão. É preciso pensar no outro todos os dias, até porque um dia pode-nos calhar a nós», salientou a jovem, que, tal como Joana Moço, se tornou dadora logo que atingiu a maioridade. E já são quase 10 as vezes que contribuiu para esta causa.
Psicóloga de profissão e com 39 anos de idade, também Maria Duarte foi uma das dadoras a deslocar-se ontem ao CST, sem sequer imaginar que era Dia Nacional do Dador de Sangue.
Na realidade, Maria é dadora há apenas dois anos, mas era «algo que queria fazer» e que acabou por concretizar
«Se tivermos essa possibilidade, como não fazê-lo? Se vamos estar a contribuir para a saúde de outras pessoas, como não fazer?», questiona, ao explicar que se trata de «um processo super simples, rápido e indolor».
No sucesso do dia de ontem, Lídia Matos, responsável pela Promoção da Dádiva do Centro de Sangue e da Transplantação, fez questão de «agradecer a toda a equipa» da instituição, mas também aos representantes de várias escolas que disseram “sim” ao desafio, nomeadamente a ESTeS, o ISCAC e Escola Agrária, que colaboraram na divulgação da dádiva junto dos seus pares.
Ainda há muitos mitos em torno da dádiva
Fiz uma tatuagem e/ou coloquei um piercing, posso dar sangue? E uma mulher menstruada ou alguém que tenha um/a parceiro/a sexual recente está em condições de o fazer? Há muitos mitos, mas também algumas dúvidas relativamente aos critérios da doação de sangue segura para quem dá, mas também para quem recebe.
É certo que os critérios básicos são ter entre 18 e 70 anos, pesar mais de 50 quilos e «sentir-se saudável», adianta Lídia Matos. «Depois, há a avaliação clínica. O objetivo na triagem clínica é garantir segurança do dador e do recetor», salienta.
Relativamente aos piercings e tatuagens, explica, é necessário deixar passar quatro meses e está, novamente, apto para dar sangue. O mesmo prazo é aplicável no caso de quem deseja fazer a dádiva, mas tenha mudado de parceiro sexual.
No que respeita à menstruação, é possível dar sangue, desde que a mulher não tenha hemorragias abundantes, sublinha Lídia Matos, lembrando que, no centro, se faz sempre a determinação da hemoglobina antes do processo. Se o valor for inferior a 12,5, a dádiva é suspensa, reforça.
«Excluídos definitivamente» são casos em que o possível dador mantenha uma sexualidade em «contexto comercial», consuma drogas ou esteróides.
Diariamente, Portugal necessita de 1.100 dádivas de sangue, sublinha. «Precisamos sempre de todos os grupos sanguíneos. Pontualmente, temos alguma dificuldade, mas fazemos esses alertas e apelamos a que as pessoas adiram quando houver esses alerta do Instituto Português de Sangue e da Transplantação», refere.
«Nunca podemos dizer que estamos muito bem, principalmente, nalguns componentes, porque as plaquetas têm uma validade de cinco a sete dias», conclui.

Dadores de sangue contribuem “para sustentabilidade do sistema”
O Dia Nacional do Dador de Sangue celebra-se há 40 anos e, em Coimbra, a homenagem foi direta para os dadores - os «heróis da solidariedade» -, que, «anonimamente, ajudam quem precisa».
Dar sangue «é um grande ato de solidariedade», que «contribui para a sustentabilidade do sistema de saúde na área da medicina transfusional», adianta. «Sem eles seria impossível», reforça Lídia Matos.











