Psicólogo da mesa de café
Há sempre um psicólogo à mesa ao lado. Não aquele que estudou anos, leu meta-análises e sabe distinguir correlação de causalidade. Falo do outro: o que mexe o café com a segurança de quem já diagnosticou três depressões, uma psicopatia, duas perturbações de personalidade e um primo “claramente bipolar”. Não cobra consulta. Cobra convicção. E a convicção, em Portugal, vale mais do que qualquer artigo revisto por pares.
Ele sabe — sabe mesmo — que usamos 10% do cérebro. Os outros 90% estarão talvez fechados para obras. A neurociência, que tem o mau hábito de medir aquilo que afirma, diz outra coisa: exames de imagiologia mostram atividade distribuída por praticamente todo o cérebro ao longo de um dia banal. Mesmo quando juramos que “não estamos a pensar em nada”, há redes ativas a trabalhar. Não há uma ala VIP de neurónios à espera de inauguração. O cérebro é um condomínio em permanente assembleia.
Estudos experimentais mostram que ensaiar agressividade tende a aumentá-la. A regulação emocional eficaz passa mais por reinterpretação cognitiva, treino atencional e resolução de problemas do que por dramatizações dignas de palco amador
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