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Dia 27 é dia de dizer “Obrigado!” aos “heróis da solidariedade”

Centro de Sangue e da Transplantação de Coimbra vai fazer dos dadores “estrelas” num dia em que se agradece a quem doa e se apela a outros que ajudem a salvar vidas

Num ano, uma mulher que faça três dádivas de sangue pode salvar até nove vidas e um homem, que pode fazer quatro dádivas por ano, poderá estar a contribuir para dar vida a 12 pessoas. «Qual é o ato de solidariedade mais nobre do que a sensação de, num ano, conseguir salvar vidas?».
É, precisamente, para «dar visibilidade» e, essencialmen­te, agradecer a tantos «verdadeiros heróis de solidariedade», que o Centro de Sangue e da Transplantação de Coimbra vai transformar o Dia Nacional do Dador de Sangue - 27 de março - num enorme “Obrigado!”.
«Estas pessoas dão anonimamente, não sabem a quem dão. É o significado mais puro que podemos entender de solidariedade», declara ao Diário de Coimbra Lídia Matos, responsável pela Promoção da Dádiva do Centro de Sangue e da Transplantação, para sublinhar que fazer dos dadores as “estrelas” neste dia é a forma mais justa de «dar rosto a quem é anónimo, ainda que de uma forma simbólica» e, desta forma, «agradecer a dádiva».
Com passadeira vermelha já garantida, vários miminhos e um lanche especial, a que se junta a já habitual simpatia dos profissionais. Será assim, entre as 8h00 e as 19h30, que os dadores serão recebidos. Os habituais e também os que chegam de novo. Sim, porque o evento servirá também para acolher aqueles que, finalmente, ganharam coragem para se juntar a este grupo tão especial de super-heróis que salvam vidas.

“Qual é o ato de solidariedade mais nobre do que a sensação de que, num ano, conseguir salvar vidas?”

«Podem vir. Com ou sem marcação. A ideia é comemorar um dos dias mais simbólicos que devemos comemorar em Portugal», continuou Lídia Matos, garantindo que o processo é seguro e indolor e que estarão apenas a usar «cerca de meia hora do dia» para recolher sangue e, desta forma, ajudar a manter sustentável um sistema que depende da dádiva. «O sangue não se fabrica nas fábricas. Ele vem das pessoas saudáveis que dão», avisa, recordando que o sangue tem uma validade e é essencial todos os dias para as mais variadas situações. de acidentes a cirurgias, passando pelas doenças oncológicas, as maternidades ou os próprios bebés. «Isto significa que precisamos dos dadores todos os dias para fazer face facilmente a todas as necessidades», continua a responsável, convidando todos a aparecerem, no dia 27 ou qualquer outro dia, no Centro de Sangue e da Transplantação de Coimbra, instalado na Rua Escola Inês de Castro, em São Martinho do Bispo (junto ao Hospital dos Covões) e a juntar-se à lista dos heróis da solidariedade.
Pode doar sangue quem tem entre 18 e 65 anos (até 70 para dadores regulares), pesa no mínimo de 50 kg e é saudável. Deve apresentar documento de identificação e passar por uma triagem clínica. As mulheres podem dar até três dádivas por ano e os homens quatro.

Dador De Sangue2

Centro está a criar a figura do “Embaixador Comunitário da Dádiva”

O Centro de Sangue e da Transplantação está a criar a figura do “Embaixador Comunitário da Dádiva”, «aquela pessoa com espírito de comunicação e de mobilização» que, nas escolas, nas universidades, nas associações recreativas, nas juntas, nas empresas possa «explicar como é a dádiva, em que consiste e mobilizar», diz Lídia Matos, que desde outubro é responsável pela Promoção da Dádiva do centro. «Acredito que é junto dos pares, com a mesma linguagem, que a mensagem pode ser mais bem passada», diz. O caminho já foi iniciado, mas será alargado este ano.

Jovens são principal foco de atenção

O número de dadores de sangue tem vindo a diminuir nos últimos anos. «As questões de solidariedade têm um limite e muitos dadores atingiram o seu limite de idade e deixaram de dar», explica Lídia Matos, sublinhando que, no entanto, Portugal é dos países mais mobilizadores. Para garantir a continuidade na dádiva, o Centro de Sangue e da Transplantação promove, há três anos, o projeto “Jovem Mais” que leva informação sobre a dádiva de sangue a todas as escolas secundárias do concelho. «Fazemos, no início do ano letivo, uma reunião com a direção das escolas e professores que aderem ao projeto e apresentamos os nossos objetivos e o resultado tem sido muito interessante», garante a responsável, falando em trabalhos «bastante criativos» desenvolvidos pelos alunos e ainda a possibilidade de informação pelos pares sobre o processo e a importância da dádiva, com impacto muito positivo, garante.

Há quem faça 18 anos e festeje a doar sangue

O projeto “Jovem Mais” tem contribuído para aumentar a literacia nos mais novos no que respeita à dádiva de sangue. «Estão muito mais tranquilos, sabem o que vai acontecer e conhecem o processo, sabem que não há qualquer situação adversa», diz Lídia Matos. Mas também já está a ter repercussões no número de dadores, garante a responsável. «Temos jovens que acabam de fazer os 18 anos e vêm aqui logo. No outro dia veio cá uma menina sozinha porque fazia 18 anos nesse dia e decidiu celebrar a inscrever-se como dadora», conta entusiasmada, a responsável. «Os jovens são muito solidários, aderem àquilo que compreendem e em que acreditam. O desconhecimento é o maior obstáculo para a dádiva de sangue», rematou.

“O sangue não se fabrica nas fábricas. Ele vem das pessoas saudáveis que dão”

Março 25, 2026 . 10:10

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