Somente a paz é santa
Com as guerras mais recentes reacendeu-se uma velha questão sobre a legitimidade do conflito. Em pleno século XXI, após uma longa história da humanidade, permeada por conflitos de variada ordem, eis que o princípio da guerra santa volta a conquistar defensores piedosos no seio do cristianismo.
Pasmem-se os leitores dos evangelhos, hoje, quando um representante estatal cristão cita um salmo da Bíblia para declarar uma guerra como justa e inevitável, considerando-a quase como um desígnio divino para derrubar o inimigo.
Não obstante a profunda manipulação da mensagem subjacente ao texto citado, desconsiderando o contexto da sua redação, o autor de tal declaração tem a ousadia de recuar séculos na argumentação da legitimidade da guerra, atribuindo ao Deus da paz a autoria de um suposto mandato de anulação do adversário, pela sua suposta infidelidade.
É nestes momentos que parece não termos aprendido nada com a História.
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