
Existência humana “pede” a busca pela felicidade
No dia que se comemorou o Dia Internacional da Felicidade e sobre o mote “A felicidade é o caminho”, Coimbra volta a ser novamente capital da felicidade em Portugal ao acolher a segunda edição do Portugal Happiness Summit.
O evento surge no dia a seguir à divulgação do Relatório Mundial da Felicidade 2026, onde no total de 147 países, Portugal ocupa 69.º posição, o que representa uma descida de nove posições no “ranking” da felicidade.
Há, portanto, « um longo caminho a percorrer», como afirmou Diogo Coelho, diretor executivo da GoldenSkill que organiza este evento.
Através desta «plataforma de projeção do debate, espaço de inspiração, partilha de conhecimento e reflexão sobre a felicidade», este evento «assume-se como “palco” ideal para discutir o tema da felicidade com os maiores especialistas, investigadores, académicos, decisores políticos e outros atores de relevo nacional e internacional», esclarece Diogo Coelho.
Segundo o diretor não se pode esquecer que «o objetivo da existência humana foi e será sempre a busca da felicidade».
Devendo ser o objetivo de um governo «trazer felicidade ao povo que governa».
Marco Pereira, diretor da Faculdade de Psicologia e de Ciências de Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), local onde o primeiro dia do evento começou, mostrou-se feliz pela realização da iniciativa no seu estabelecimento de ensino.
Visto que «o tema da felicidade diz muito esta faculdade».
Durante a sessão de abertura do evento o diretor contou que «uma das primeiras referências ao conceito de qualidade de vida foi Aristóteles».
O filosofo afirmava que «qualquer pessoa entende vida boa ou estar bem como a mesma coisa que estar feliz, mas o que é entendido como felicidade é discutível. Uns dizem uma coisa e outros dizem outra e a mesma pessoa diz coisas diferentes em diferentes tempos, ou em tempos diferentes», como citou Marco Pereira.
Também presente na cerimónia esteve Eduardo Pizarro, presidente do Núcleo de Estudantes da FPCEUC, que refletiu sobre os anos que geralmente são atribuídos como os mais felizes: o período como estudante.
«À primeira vista faz sentido pensar nisso, visto que temos liberdade, tempo e em muitos casos, temos a possibilidade de cometer erros sem consequências irreversíveis», começa por dizer o aluno de Mestrado em Psicologia das Organizações. Porém, «esta realidade não é universal, mas sim um privilégio que se toma por garantido».
«De repente surge o mercado de trabalho» e «essa liberdade, autonomia que tanto valorizávamos, transforma-se em ansiedade, desespero e pressão».
Para Eduardo Pizarro vive-se uma fase em que «a felicidade que parece importar é o prazer imediato». O que demonstra que «ainda há muito caminho a traçar, sendo necessário ter a ousadia de o questionar e, quando necessário, de o transformar», concluí.
Com alegria consegue-se chegar onde se quer

Ukra, ex-jogador de futebol, e Catarina Costa, judoca, participaram numa sessão sobre felicidade no desporto
«A felicidade no desporto é fazermos o que mais gostamos».
Estas foram as palavras de André Filipe Alves Monteiro, ex-jogador de futebol mais conhecido como Ukra.
Já para Catarina Costa, judoca olímpica e natural de Coimbra, «a felicidade no desporto é termos o nosso grupo e podermos partilhar vários momentos felizes com eles».
O jogador esclarece que no futebol nem sempre é fácil encontrar a felicidade, mas que, «com alegria, consegue-se chegar onde se quer».
Escolhidos como oradores para uma mesa-redonda sobre “Felicidade no Desporto”, os atletas contaram ao Diário de Coimbra como vivem a felicidade no seu dia-a-dia.
«O judo é um desporto diferente, nós não temos aquele prazer instantâneo de marcar um golo ou de encestar.
Nós podemos fazer um grande treino e não projetar ninguém.», conta a judoca.
Situação que Ukra concorda, visto que «no futebol também conseguimos fazer grandes jogos sem fazer um golo ou uma assistência».
«As pessoas olham para o futebol como um golo ou assistência, mas é muito mais do que isso», afirma Ukra.
«Há coisas que são trabalhadas durante a semana que valem muito mais do que fazer um golo», acrescenta.











