
Investimento no tratamento de resíduos “preocupa” e pode ser reaproveitado
A União de Freguesias de Trouxemil e Torre de Vilela é a primeira a beneficiar de um dos novos programas de recolha de biorresíduos no concelho. A apresentação de resultados correspondentes a 2025 mostrou grandes sucessos, mas deixa a certeza de que é possível atingir patamares mais elevados, poupar mais e atingir objetivos de sustentabilidade melhores e mais definidos.
Destacando o trabalho realizado para atingir uma «sociedade mais ambientalista», Horácio Costa, presidente da União de Freguesias de Trouxemil e Torre de Vilela, realçou a importância de «entender objetivos» para se adaptar ao rumo a assumir. «É importante chegar aos objetivos da União Europeia, claro, mas é preciso ver as necessidades internas e definir patamares locais, mesmo que sejam mais ambiciosos», elaborou o presidente.
Com a responsabilidade maior no projeto, António Martins, diretor do Departamento de Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), enalteceu o «crescimento importante» nos números da recolha de resíduos e destacou alguns projetos de sucesso. «Realizámos 5.873 ações de recolha de monos, um crescimento revelador dos trabalhos efetuados, que se traduz em 1012,42 toneladas de resíduos recolhidos».
Os números, apesar de positivos e, na grande generalidade, superiores aos de 2024, encontram agora um «entrave». «Para garantir uma capacidade maior precisamos de mais meios para chegar a mais pessoas e tornar mais regulares as recolhas. É, talvez, um próximo passo».
Iniciativas de recolha de resíduos têm sido um sucesso e o objetivo é continuar a garantir que os números continuam a crescer de forma sustentada
Mesmo assim o caminho já se «vai fazendo», estando agora em curso um “novo” projeto, que alarga a possibilidade de recolha de biorresíduos. «Vamos distribuir, pelas famílias que se inscreverem no projeto, caixotes específicos para recolha de biorresíduos e, simultaneamente, vamos implementar um conjunto de sistemas de depósito comunitário». Este sistema, implementado por freguesia, funciona através de inscrição e permite aos interessados fazer uma compostagem em comunidade: cada depósito tem o teto máximo de um metro cúbico de composto, que fica encerrado durante três meses até ficar pronto para ser usado como adubo, sendo que cada ponto de recolha tem três caixotes de compostagem que podem ser utilizados sempre que um está encerrado em processo de «maturação».
No que toca ao processo de recolha de resíduos recicláveis, António Martins relembra que dentro de «poucos meses» a campanha de recolha de embalagens de plástico entrará em vigor em Coimbra, tal como no resto do país. «Já temos as zonas identificadas para aplicar os contentores que, em “troca” de uma embalagem, “pagam” 10 cêntimos a quem a reciclar».
Em articulação com António Martins, Luís Filipe, vereador da CMC, revelou que para 2026 o financiamento alocado para o tratamento de resíduos em aterro, a nível municipal, é de seis milhões de euros (6ME), valor que «tem de ser repensado». «Estamos a falar de um investimento de cerca de 25ME por mandato, temos de deixar de desperdiçar este financiamento e parar de desperdiçar recursos [financeiros] que podiam ser utilizados de melhor forma ao serviço da comunidade».
O trabalho de entrega dos caixotes de compostagem individuais espera-se terminado dentro de dois meses. Para inscrições basta contactar 239 802 070 ou [email protected].











