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Ordem celebra 90 anos e reforça papel da Engenharia

Jantar comemorativo realiza-se no Convento São Francisco. Uma celebração da longevidade e uma alerta para o lugar central da Engenharia na vida das pessoas e dos territórios

Coimbra é, hoje, o centro nevrálgico da engenharia de todo o país, com mais de três centenas de profissionais reunidos no Convento São Francisco. Um dia de festa para celebrar os 90 anos da Ordem dos Engenheiros e perspetivar os desafios dos tempos vindouros, com uma certeza, transversal no tempo: a Engenheira é um pilar essencial na qualidade de vida das pessoas e no desenvolvimento dos territórios.
«A Engenharia faz, realiza, concretiza, resolve, apresenta soluções, é essencial para a qualidade de vida das populações», diz Isabel Lança, presidente da Ordem dos Engenheiros – Região Centro (OE-RC). Muito embora possamos não ter essa perceção imediata, «a Engenharia está em todo o lado», desde os transportes, às estradas, à habitação, até às “commodities” mais básicas, como a água ou a luz. «Tudo isto tem a marca da Engenharia», sublinha a anfitriã das comemorações, naturalmente satisfeita com a escolha da Região Centro para acolher este evento, «marcante» na vida de uma organização que reúne mais de 60 mil profissionais em todo o território nacional.
Uma Ordem com 90 anos, mas «jovem» e «perfeitamente atualizada», «muito ativa, aten­ta e sempre a acompanhar o progresso e o desenvolvimento da tecnologia», considera Isabel Lança, que refere a recente criação de cinco novos “Colégios”, em «áreas que são fundamentais»: Alimentar, Aero­náutica Espacial, Gestão Industrial, Biomédica e Segurança e Qualidade.

Isabel Lança, presidente da OE-RC, acredita que os próximos 10 anos serão “os melhores” para a Engenharia nacional

«O reconhecimento da profissão e da qualidade intrínseca da Engenharia dão-nos a certeza de que os próximos 10 anos vão ser os melhores», considera. O «dinamismo da OE», o desenvolvimento da Engenharia, da formação nas diferentes áreas e das competências dos profissionais, bem como o «currículo certificado do engenheiro», são, para a responsável da OE-RC, argumentos de força para «dar visibilidade» aos profissionais e para «consolidar» a Engenharia como «um pilar na organização e no desenvolvimento da sociedade».
Isabel Lança reconhece, muito embora, que ainda há muito a fazer. Um "reptum" à sociedade em si mesma, no sentido do «reconhecimento e da dignificação» da profissão. Trata-se de elementos-chave e uma mola impulsionadora, absolutamente necessários para «cativar» os engenheiros e, de alguma forma, estancar a “diáspora” a que se tem assistido, com a migração de grande número de profissionais qualificados, formados em Portugal, que acabam por colocar o seu saber-fazer ao serviço de outros países, onde têm melhores condições. Um reconhecimento que «tem que ser transversal», envolvendo «desde o Estado às empresas» e que inclua, naturalmente, a necessária «recompensa em termos salariais», adianta.
«Não há engenheiros nas autarquias e na Administração Pública», lembra Isabel Lança, que aponta, de forma crítica, a extinção da carreira dentro da Administração Pública. De resto, uma situação que se tornou notória na sequência da tempestade que assolou particularmente a Região Centro e que motivou uma mobilização voluntária dos profissionais, que se disponibilizaram para ajudar e estão no terreno.
Otimista e confiante, Isabel Lança acredita que o futuro vai ser promissor para a Engenharia e para os engenheiros e que estes profissionais vão merecer um outro olhar, como já aconteceu no passado, e ser encarados «como garantia de segurança da sociedade».

Evento junta bastonário e ex-bastonários

A «centralidade» da região, associada ao facto de a Ordem dos Engenheiros ter como princípio “descentralizar” os seus eventos, procurando contemplar todas as zonas do país, ditaram a escolha de Coimbra para as celebrações do aniversário, que acontecem hoje e contam com a presença do atual bastonário, Fernando de Almeida Ramos, e de pelos menos mais cinco antigos bastonários. «São profissionais de referência para todos nós», que continuam no ativo, sublinha Isabel Lança, que destaca, pela proximidade, o exemplo de Matias Ramos, que esteve envolvido no projeto de regularização do Baixo Mondego.
O programa tem início às 19h00, no Convento São Francisco, e prevê as intervenções dos responsáveis da Ordem a nível nacional e da região Centro, respetivamente Fernando de Almeida Ramas e de Isabel Lança. O terceiro interveniente, mais conhecido como comediante, mas também ele com a Engenharia como berço, em termos de formação (foi aluno de Engenharia Química da Universidade de Coimbra), é Pedro Tochas. O Grupo de Fado de Coimbra “Raízes” anima a noite, que pretende ser, sobretudo, um «momento de encontro e de convívio» entre profissionais oriundos dos quatro cantos do país.

Março 20, 2026 . 09:35

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