
Freguesia luta por novas vias mais ação social e melhor vida
A União de Freguesia de Antuzede e Vil de Matos tem em mãos uma luta em diferentes frentes para melhorar a vida da comunidade. Numas poderá lutar por si só, mas noutras depende de terceiros, seja da Câmara de Coimbra, de instituições públicas ou da própria sociedade civil. Rui Marcelino, presidente da UF desde 31 de outubro, conhece o mundo e bem melhor a terra onde nasceu e sempre viveu, sendo-lhe fácil apontar o que é preciso fazer, no imediato e a médio prazo.
O autarca, que antes integrava a Assembleia de Freguesia, foi eleito presidente pelo Partido Socialista (Coligação Avançar Coimbra), tendo-se candidatado para prosseguir o trabalho do anterior executivo, também do PS, dentro das capacidades, económicas e não só, da União de Freguesias.
A ação social, juventude, ambiente, cultura, desporto, mobilidade, saúde, educação, apoio ao nosso comércio local e implementar a participação de cidadãos na governança da freguesia foram premissas gerais da candidatura. «Estamos a apostar em todas», ou melhor, a iniciar, observa o autarca.
Não há lar de idosos, nenhuma unidade de cuidados continuados, nenhum centro de dia

Com apenas quatro meses de executivo, está muito claro o que se pretende protocolar com a Câmara de Coimbra ou executar em conjunto. A aposta será em «vias cruciais», indica Rui Marcelino, porque «há povoações da freguesia que não estão interligadas», por exemplo Póvoa do Pinheiro com a Gândara, ou não é possível uma ambulância socorrer um cidadão de Vil de Matos, «tem de ir por uma estrada de terra batida». Logo, durante o mandato, a UF quer implementar a estrada do Barreiro em Vil de Matos, desde a escola à localidade. Nos planos está também a melhoria de vias existentes.
A freguesia, que dispõe de quatro cemitérios, «não tem nenhum lar de idosos, nenhuma unidade de cuidados continuados, nenhum centro de dia». Ou seja, repara o autarca, «os nossos idosos saem todos da freguesia e vão para a periferia à procura de respostas que nós não temos capacidade de dar».
«Temos de dar resposta a isso», preconiza o autarca, ao assinalar outras preocupações, como a falta de jardins-de-infância. Só há uma escola primária, com valência de pré-escolar, dos três aos cinco anos. Ora, deduz, sem jardim-de-infância, «logicamente as crianças saem da freguesia» para infantários e depois «seguem, ficam lá» para a restante parte letiva.
Criar creche é prioridade
A escola primária, que pertence ao Agrupamento de São Silvestre, até tem um número razoável de alunos, mas a vontade é de aumentar. Só que há muitas barreiras interligadas, um fator, como mobilidade ou resposta em termos de transporte, condiciona todos os outros. Os pais, clarifica, todos os dias saem da freguesia e vão para Coimbra, para os seus empregos. A escola, o agrupamento, está fora do percurso normal, o que faz com que levem as crianças para infantários em Coimbra. Depois, já se sabe, ficam por lá.
Esta questão em particular liga-se a outra, à mobilidade e transportes. Os pais, para levarem os filhos, têm de ir carro, o que depois causa excesso de viaturas em Coimbra. Ou seja, um só fator leva a excesso de outros, reforça, ao sublinhar que a presidente da Câmara, Ana Abrunhosa, tem-se revelado sensível às problemáticas da freguesia.
Neste contexto, surge como prioridade a criação de uma valência de creche, dos 0 aos três anos, na escola, porque há espaço, «tem bons professores, bom atendimento, e conseguimos facilmente aumentar o tempo» de permanência, de prolongamento de horários através dos auxiliares. Ou seja, afirma, os pais não teriam de sair dos empregos a correr para irem buscar os filhos às 17h00 e nem precisariam de levar os carros para o trabalho, poderiam ir de autocarro e voltar para pegarem os filhos, que estariam perto de casa e em zonas de menor mobilidade, logo de menor risco para as crianças. «Pretendemos fazer [a creche] o mais rápido que pudermos», sublinhou.
Na parte do desporto também não há nenhuma associação da freguesia em torneios ou campeonatos. «Temos realmente duas associações fortes, de Karaté e de Kenpo», que têm representado a União de Freguesias, mas futebol de salão, futebol, ou qualquer outra modalidade, «não há nada», constata.
Dar “alma” à freguesia
Na “radiografia” à freguesia sobressai «uma coisa muito boa, o ATL [Atividades de Tempos Livres, financiadas pela UF, na Póvoa do Pinheiro] que conseguimos desenvolver e que neste momento tem o grupo de teatro Estrelinhas, que tem feito diversos espetáculos».
Há ainda a destacar o Centro de Saúde, que tem sido mantido «com algum esforço». O executivo anterior «fez obras e nós estamos também a fazer um grande esforço para que o Centro de Saúde se mantenha aqui», refere Rui Marcelino, que, em relação a outras freguesias, entende que a UF de Antuzede e Vil de Matos está «muito empobrecida». No desporto, cultura, no acompanhamento dos idosos e da juventude «existem grandes défices na nossa freguesia», assinala.
No entanto, a população, de cerca de três mil pessoas, tem vindo a aumentar, tal como a construção, com mais moradias na freguesia. À partida seria um fator positivo, mas se for só como dormitório, se fazem o resto da sua vida fora da freguesia, são apenas habitantes noturnos. Por isso, defende, «temos que implementar estruturas de apoio para que estas pessoas se sintam felizes aqui e não vão à procura noutros locais das respostas necessárias à família, desde os mais novos aos mais velhos».
Ao reconhecer que não é uma coisa que se faça em quatro anos, o autarca afirma que, pelo menos, é possível «lançar sementes», o que não passa apenas pela Junta de Freguesia. Pode apoiar, claro, mas as associações têm de ser «mais dinâmicas». A Câmara de Coimbra também conhece os problemas e com o apoio do Município e de outras estruturas, nomeadamente do setor social, talvez haja possibilidades de concorrer a projetos nacionais que ajudem a dar um pouco de «alma» à freguesia, disse, escusando-se a pormenorizar planos ou projetos de algo que ainda não é certo.
É necessário apostar em vias cruciais, porque há povoações da freguesia que não estão interligadas

Periferia prejudicada nos transportes públicos
A mobilidade é uma preocupação sempre presente na UF de Antuzede e Vil de Matos, como se depreende da notícia principal, com os transportes públicos a ocuparem, neste setor, uma inquietação acrescida. Parece mesmo, usando as palavras do presidente Rui Marcelino, que há «cidadãos de primeira e cidadãos de segunda» no concelho de Coimbra.
Ou pelo menos uns com mais vantagens do que outros, apesar de vizinhos. Quem vive em Antuzede ou Póvoa do Pinheiro tem o transporte para Coimbra, através do SIT “metropolitano”, na Estrada Nacional 111, com passe próprio. Depois, quando chega à cidade e quer ir para o emprego, para um liceu ou universidade, tem de ter outro passe para os SMTUC (Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra). Ora, exemplifica o autarca, quem vive em Alcarraques ou na Adémia, vizinhança próxima, tem carreiras dos SMTUC, só um passe que permite andar por toda a cidade.
Ou seja, o freguês de Antuzede paga o dobro de outros para estudar e trabalhar em Coimbra. A questão não se limita a Antuzede, vai até Andorinha, observa o autarca, porque afeta também as freguesias de São João do Campo, São Silvestre, São Martinho de Árvore e Lamarosa.
O passe Move-C, de mobilidade intermodal da Região de Coimbra, abrange, por enquanto, apenas os SMTUC e o Metrobus (Sistema de Mobilidade do Mondego). Para a periferia «não há nada», lamenta Rui Marcelino, ao notar que a presidente da Câmara, Ana Abrunhosa, tem acompanhado esta problemática.
O Move-C, pensado para utilização de diferentes serviços de transporte com um único título, tem atualmente apenas dois operadores. Mas foi lançado com o objetivo de integrar, ainda no presente ano, a CP e o SIT (Sistema Intermunicipal de Transporte da Região de Coimbra).
Ainda em matéria de transportes, Rui Marcelino lembra que os fregueses têm de andar grandes distâncias para apanhar o autocarro na EN 111. «Quase dois quilómetros» para quem vive no topo da Póvoa do Pinheiro. Já há alguns autocarros que lá vão, mas ainda são insuficientes, afirma, ao sublinhar que em termos de carreiras já houve alguma melhoria desde que tomou posse. «Mas pode-se melhorar e acho que vamos melhorar mais», disse.











