
Ciclo de Requiem apresenta dois concertos em Coimbra
São duas temporadas, seis concertos e sete orquestras/ grupos corais. Não faltam as estreias e a dimensão solidária de um evento que convoca a música como «espaço de encontro, memória e partilha». Verdi, Fauré e Brahms são compositores em destaque no XIV Ciclo de Requiem de Coimbra, um projeto com a assinatura da Associação Ecos do Passado, com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra. O primeiro “andamento” é já no próximo domingo, “fora de portas”, em Ovar, consolidando esta «promoção tentacular» da música coral e sinfónica.
Isso mesmo foi sublinhado pelo curador artístico, Artur Pinho Maria, ontem na apresentação do programa. «Antes, 90% dos concertos eram realizados em Coimbra, agora são 20%», referiu, destacando este crescimento e expansão do Ciclo de Requiem rumo ao Norte – Ovar - e em pleno Atlântico, com o segundo concerto a realizar-se no Funchal, a 27 de março. Vila Franca de Xira e Sintra são os outros pontos de encontro com a música.
O curador destacou igualmente os «dois grandes concertos» a realizar em Coimbra, no Convento São Francisco, o primeiro a 3 de abril, no encerramento da primeira temporada – dedicada a Brahms e Fauré - e o segundo a 1 de novembro, rematando a segunda temporada, com a “Missa de Requiem”, de Verdi. «Datas marcantes», garantiu, perspetivando momentos ímpares, o segundo dos quais terá, seguramente, mais de duas centenas de músicos e coralistas em palco.
Entusiasmado, Artur Pinho Maria realçou a estreia, na segunda temporada, da Orquestra Médica Ibérica, constituída por mais de oito dezenas de músicos, a que se vai juntar o Coro Médico de Lisboa e ainda a dinamização de um Coro Participativo de Profissionais de Saúde, que pretende reunir médicos, enfermeiros e técnicos de saúde.
Um “toque internacional” que nesta 14.ª edição do Ciclo de Requiem fica reforçado com um abraço ao México e uma parceria com o Festival Internacional de Órgão de Morelia, num diálogo artístico entre dois continentes, unidos pela celebração da música. «É um grande festival da América Latina», realizado há 60 anos ininterruptamente, cuja programação vai, simbolicamente, integrar o Concerto de Páscoa, em Coimbra.
Antes, Ana Rita Loureiro, presidente da Associação Ecos do Passado, fez uma apresentação geral do evento que, ao longo de 13 edições se afirmou como «umas das mais relevantes iniciativas nacionais dedicadas à música coral sinfónica», «uma das marcas culturais estruturantes da programação musical da cidade» e «um projeto de referência na programação musical portuguesa».
“A Arte da Vida e do Cuidar” é o tema desta 14.ª edição, que «propõe uma reflexão sobre a condição humana», «convocando a música como espaço de encontro, memória e partilha», numa programação que articula um «repertório da grande tradição coral sinfónica» com «uma dimensão social reforçada», «promovendo a ligação entre arte, comunidade e responsabilidade cultural», afirmou. A presidente da Ecos do Passado salientou esta dimensão social, com a realização de dois concertos solidários, em parceria com a Orquestra Médica Ibérica. «Parte da receita de bilheteira reverte para a Associação Saúde em Português, disse.
Ana Rita Loureiro enalteceu a participação de «estruturas artísticas de referência», designadamente a Orquestra Filarmonia das Beiras, a Orquestra Clássica da Madeira, a Orquestra Médica Ibérica e a Orquestra Inês de Castro, bem como os solistas nacionais e internacionais. Entre os convidados, destacou o pianista italiano Antonio di Cristofano e o maestro mexicano José Arturo González. Uma palavra especial para o Coimbra – Cantat – Coro Infanto-Juvenil que se vai estrear num concerto coral sinfónico.
O orçamento ronda os 65 mil euros, menos sete mil que no ano transato, diferença compensada pela presença pro bono da Orquestra Médica Ibérica.
Um caminho em crescendo
Rafael Nascimento, chefe da Divisão da Cultura da Câmara de Coimbra, destacou o «trabalho diferenciador» que o Ciclo de Requiem tem desenvolvido e que o coloca numa «lógica de alcance estratégico» para as «políticas culturais do município», que merece ser dinamizada. Um «trabalho exigente», que «tem evoluído» de forma significativa. «Estamos também a exportar cultura», salientou, destacando o facto de a 14.ª edição «incorporar» Ovar, Sintra, Funchal, Vila Franca de Xira e, naturalmente, Coimbra, o que considera «muito importante» para «capacitar o tecido associativo local», num incentivo a «caminhar para a profissionalização».
«Os municípios dever servir para dar asas aos sonhos das pessoas», defendeu Rafael Nascimento, para concluir que isso faz ainda mais sentido quando se sente um «efeito multiplicador» ao nível dos resultados. O município, garantiu, está disponível para «continuar a apoiar este caminho e ajudar o Ciclo de Requiem a crescer»|
Embaixador do México no Concerto de Páscoa
O diretor do Festival Internacional de Órgão de Morelia, Juan Bosco, participou, por videoconferência, na apresentação do evento, e expressou um grande «orgulho» e «entusiasmo» por esta aproximação entre Portugal e o México. «O embaixador está entusiasmado» e a sua presença está confirmada, dia 3, no Convento de S. Francisco, no Concerto de Páscoa, garantiu.
Para Juan Bosco, esta pode ser uma «oportunidade para criar uma ligação cultural entre Portugal e o México». «O México tem as portas abertas à cultura de Portugal», rematou.|










