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Raquel Lima, poeta e ativista portuguesa vence Prémio Emma Goldman 2026

Desde 2020, estes prémios são atribuídos anualmente a candidatos selecionados residentes na Europa, independentemente da sua cidadania ou estatuto migratório

A poeta portuguesa de origem angolana e santomense Raquel Lima foi uma das vencedoras do Prémio Emma Goldman 2026, no valor de 50 mil euros, que distingue “realizações excecionais e contributos relevantes na investigação sobre feminismo e desigualdade”.

O anúncio foi feito hoje, em comunicado, pela poeta, académica e ativista, que confessou estar ainda “a vibrar e a processar esse acontecimento”, apesar de o prémio ter sido entregue no passado dia 5 de março, “ainda mais tendo sido a primeira intelectual portuguesa, angolana e são-tomense a conseguir essa nomeação”.

Além de Raquel Lima, foi também distinguida a académica e jornalista afro-brasileira residente em Portugal Ionara Silva, investigadora na Universidade Lusófona e jornalista do Público Brasil, que recebeu um Prémio Emma Goldman Snowball, que atribui um montante de 10.000 às vencedoras.

A entrega dos prémios Emma Goldman é feita numa cerimónia anual, em Viena, na Áustria, pelos organizadores do certame, o IWM - Institute for Human Sciences e a Flax Foundation, uma organização independente sediada nos Países Baixos.

Os prémios são atribuídos a académicas empenhadas em questões relacionadas com o feminismo e a desigualdade na Europa e destinam-se a apoiar a sua investigação e desenvolvimento, além de valorizarem o legado de Emma Goldman, considerada uma das figuras mais importantes do anarquismo americano e do início do movimento pela paz, destacam os organizadores do prémio.

Por isso mesmo, os prémios Emma Goldman reconhecem também trabalhos que dialoguem com questões como justiça social, direitos, liberdade e crítica a sistemas de opressão.

“O mais interessante é que o prémio valoriza também a pesquisa artística e as práticas ativistas, e por isso respeita a multiplicidade de encruzilhadas que atravessamos, e recomenda-nos a reivindicar o nosso tempo. Fora das lógicas competitivas da academia e do neoliberalismo, este prémio é um convite à desaceleração e ao autocuidado, não fosse a Emma Goldman uma anarquista”, afirmou Raquel Lima.

Os discursos “extremamente populares” de Emma Goldman, “e a sua vasta produção escrita abordaram temas como o militarismo, o fascismo, o capitalismo, a migração, o casamento, o amor livre e a homossexualidade”, recorda a Fundação FLAX, que em reconhecimento do seu legado, todos os anos atribui dois prémios: o principal, que é o Prémio Emma Goldman, no valor de 50 mil euros a cada distinguida, e o Prémio Emma Goldman Snowball, com um valor pecuniário de 10 mil euros.

Nascida em 1983, Raquel Lima é uma poeta portuguesa de origem angolana e santomense, arte-educadora e investigadora de Estudos Pós-Coloniais. Licenciou-se em Estudos Artísticos pela Universidade de Lisboa e é doutoranda em Pós-Colonialismos e Cidadania Global na Universidade de Coimbra.

Março 17, 2026 . 15:03

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