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Prioridade desenhar modelo de gestão para rio Mondego

Câmara e Universidade de Coimbra promoveram sessão pública que refletiu sobre o funcionamento de infraestruturas hidráulicas e a gestão do risco de inundação

Encontrar um modelo de gestão integrado, que reúna várias entidades, para o rio Mondego foi uma das conclusões tiradas da sessão pública que a Câmara Municipal e a Universidade de Coimbra dinamizaram, ontem, debaixo do viaduto da A1, junto ao dique na Ponte dos Casais (margem direita), que teve como propósito analisar os episódios de cheia registados recentemente na bacia do rio Mondego e promover uma reflexão técnica sobre o funcionamento das infraestruturas hidráulicas e a gestão do risco de inundação em Portugal.

«A  principal lição que levamos desta ação é que temos de repor a obra hidráulica da bacia do Mondego e, sobretudo, completá-la. Sabemos  que estamos a falar de uma obra hidráulica, de   engenharia, com 40 anos, que, naturalmente, pode necessitar de ter algumas atualizações, mas é o que os cientistas nos mostraram hoje», começou por referir  Ana Abrunhosa.

A   importância da manutenção, assume a presidente da Câmara de Coimbra, é determinante, todavia, diz a autarca, nessa manutenção terão de participar várias entidades: a APA –   Agência Portuguesa do Ambiente, a autarquia, os agricultores e empresas, ou seja, «todos os beneficiários desta obra hidráulica». «Mas chegámos igualmente a conclusões que   parecem simples e que passam por reconstruir o dique, concluir a obra e garantir que os sifões funcionem», adiantou ao jornalistas a edil conimbricense, no final da sessão pública  "Levar a sério o desafio. Análise  das cheias do Mondego de fevereiro de 2026”.

Relativamente ao modelo de gestão do rio Mondego, cujos custos poderão ascender aos 20/30 milhões de euros anuais, Ana Abrunhosa afirma que tem de ser «estudado com a APA, com as câmaras municipais e associações de agricultores», porque, sublinha, está-se a falar de uma «cogestão». Aliás, existe um relatório da APA que conclui isso mesmo, que a «responsabilidade da manutenção, para que não existam matagais e árvores numa obra de engenharia, é de todos». «Há muitas modalidades, mas neste momento ainda não definimos, mas é uma conversa a ter com o Ministério do Ambiente», referiu a autarca.

Fernando Seabra Santos, antigo reitor da Universidade de  Coimbra, defendeu que «o  Mondego precisa que cuidem  dele», apontando as cheias  como consequência das «carências graves de manutenção e a ausência de uma estrutura de gestão dedicada, que pense no  Mondego 365 dias por ano».

Contrato interadministrativo com APA para intervenções urgentes

A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, manifestou a intenção de elaborar um contrato interadministrativo com a APA para proceder a intervenções urgentes. «É urgente estabilizarmos as margens e desassorear o rio Mondego. E para isso a Câmara Municipal de Coimbra tem de fazer um contrato interadministrativo com a APA, porque são
áreas da sua competência, através do qual teremos acesso a verbas não só da APA mas também de fundos europeus, de avisos que estão abertos e que poderemos utilizar», explicou
a autarca. E essas obras, avança, «têm de começar este ano».

Março 14, 2026 . 10:58

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