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António Barbosa: “O lado estratégico terá que vir ao de cima”

Treinador da Académica elogia capacidade física do Mafra, mas acredita que o grupo tem talento para superar as dificuldades. Jogo é amanhã às 20h15

Decorridas estas jornadas. Está feliz com a prestação da equipa?
António Barbosa Sim. Fico feliz com a prestação da equipa, com o crescimento dos jogadores, com a consistência que têm demonstrado e acima de tudo com a capacidade de perceber a competição. Nem sempre estivemos, nesta fase, exatamente como queríamos, a capacidade de crescimento dos nossos jogadores, a capacidade de ganharem competências e o seu talento individual ajudam a resolver muitas das situações. Mas também estamos muito concentrados em continuarmos este crescimento. O que nos trouxe até cá foi uma gran­de humildade e perceber que temos sempre que correr mais do que os adversários. Temos sempre que ser bastante intensos naquilo que é a nossa atitude competitiva e muito determinados porque é uma competição realmente em que estão todos muito próximos e os adversários têm realmente muito valor.

Prefere jogar antes ou depois dos seus adversários?
A maior parte das vezes não condiciona. Percebemos os resultados, fazem parte da competição, sabemos que eles vão jogar mais cedo ou mais tarde. Claro que entrar num jogo com vantagem é sempre melhor do que entrar num jogo sem uma vantagem, mas o nosso foco é aquilo que temos vindo a falar, concentrar nas nossas missões e tarefas, percebermos este adversário e irmos para dentro de campo para ganhar.

Jogar às 20h15 de um domingo é uma boa hora?
Eu acho que é a hora que foi imposta pela Federação e a partir daí temos de nos ajustar. Nós jogamos com o que temos, não com o que queremos ter. Essa é uma realidade. Acho que se pode ajustar e Coimbra é uma cidade com bons acessos e que é fácil de chegar ao estádio. E por isso também acredito que será um bom espetáculo e que os adeptos vão marcar presen­ça, até pelo esforço que tem si­do feito pela Direção. Quem estiver trajado entra no recinto e os sócios também têm mais dois bilhetes, penso que é algo que vai ajudar à moldura humana, mas seguramente que há horas melhores para assistirmos ao futebol, mas faz parte.

Na primeira fase, a Académica perdeu fora com o Mafra e empatou em casa. Continua a ser este um dos principais candidatos à subida?
Pelo menos foi das equipas que mais investiu para lutar pelo título nacional e tem recursos para ser um forte candidato. Acho que este campeonato, pela proximidade das equipas e pela competitividade, vai ser muito difícil alguma estar fora da luta, sobretudo daquelas que investiram efetivamente, até às últimas jornadas. O Mafra é uma equipa que tem fortes recursos, tem o melhor avançado da nossa competição. É uma equipa muito intensa e com muita possibilidade de intervir sobre o jogo. Faz das bolas paradas, em particular dos lançamentos, uma grande arma. Individualmente, todos os atletas são jogadores muito fortes, muito robustos, muito capazes. Sabemos que não temos uma melhor história contra eles e isso para nós é algo que queremos inverter, mas sabemos que nos dois jogos conseguimos, principalmente no segundo, ter capacidade de lutar e acima de tudo representar o emblema que usamos com muita dignidade e combatividade que vai ser necessária neste jogo.

Sabemos que pensa sempre no jogo. Pergunto é se para quem joga em casa há uma maior pressão de ganhar, sobretudo nesta fase?
Não vemos isso dessa forma. Vemos isso como um jogo. Há momentos do jogo em que nós vamos ter de defender. E há equipas em que vamos ter de dar a primeira etapa de construção. O lado estratégico aci­ma de tudo terá que vir ao de cima. Por vezes, isso não é compreendido, mas muitas vezes terá que ser algo que temos de ter muito vincado. Uma característica desta competição, nes­te momento, é que o tempo útil do jogo está muito baixo, o ritmo do jogo está muito baixo, até porque temos mais um extra, a questão do VAR. O VAR pára o jogo e não estou a fazer nenhuma crítica ao VAR, apenas a constatar um facto. E quem conseguir estar mais equilibrado durante mais tem­po, evitar quebrar o jogo, “partir” o jogo, estará sempre mais próximo de vencer. Dentro daquilo que é a matriz, do que podemos controlar das componentes táticas e do nosso posicionamento estratégico e o que podemos tirar de aproveitamento face ao adversário que temos pela frente.

Vê o jogo com uma dimensão física acima do que tem acontecido?
Sim, os adversários são todos atléticos, são grandes, são fortes, são robustos, são rápidos. É uma equipa realmente muito bem composta. A nossa intenção é não levar o jogo para essa dimensão, obviamente.

E qual é o antídoto?
O antídoto é fazermos aquilo que nós somos capazes de fazer. Acho que todas as equipas têm algo que o adversário não tem. E a nossa é a capacidade de jogar, de termos bola, circular por fora, descobrir espaços para depois entrarmos por dentro e fundamentalmente acelerar quando ganhamos a frente do adversário. Isso é a nossa matriz e por isso é que produzimos tan­tas situações de golo, por isso é que marcamos tantos golos. E se nós quisermos entrar num jogo muito direto vamos ter dificuldades, porque o adversário é forte, é agressivo, mas também sabemos que em espaços e momentos se for necessário também estamos preparados para o fazer.|

Março 14, 2026 . 16:15

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