
Investigadores aproximam-se da comunidade com “livro humano”
Falou-se de ciência e da «vida pessoal» no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra. Integrado na Semana Cultural da UC, e a aproveitar a coincidência com a Semana Internacional do Cérebro, o CiBB, Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia, trouxe investigadores dos seus diferentes polos para contar histórias de vida e “abrir o livro” sobre as investigações que realizam.
O conceito “Biblioteca Humana” desafia os participantes a, em vez de lerem livros, aprenderem a «ler pessoas».
«A iniciativa desafia a que venham ler “livros humanos”, no nosso caso cientistas», contou Sara Amaral, coordenadora e investigadora do CiBB. As histórias apresentadas, todas elas reais, realçaram desafios e superações de cada investigador convidado, que se sujeitou a responder às perguntas dos mais de 20 participantes.
«Este é um evento que promove a cultura científica» e nesta promoção procura-se, ainda, desenvolver as capacidades comunicativas e ultrapassar as barreiras da comunicação em ciência.
«Há ainda muito trabalho a fazer na área da comunicação em ciência, mas é uma situação que está a melhorar graças à formação e sensibilização que começa acontecer dentro das instituições, cursos, doutoramentos», naquilo que pode ser considerado um “efeito bola de neve” pelo crescimento dos meios e formas de comunicação.
O programa “Biblioteca Humana” não fez a sua estreia, já tendo ocorrido no passado, com uma possibilidade de regresso a ser vista com bons olhos.
«Já melhoramos da primeira para a segunda edição e vamos voltar a olhar para o feedback para melhorar ainda mais e tentar repetir. O número de inscrições que tivemos é um bom indicativo de que há interesse».
Na sessão, que deu a conhecer ao público as histórias de Vitor Bueno, investigador no CNC-UC (Centro de Neurociências e Biologia Celular) e DJ, Ana Rita Álvaro, investigadora no CNC-UC, Lisa Rodrigues, investigadora do iCBR-FMUC (Instituto de Investigação Clínica e Biomédica de Coimbra) e membro do Coro Sinfónico Inês de Castro, Diogo Magalhães e Silva, investigador no GeneT (Centro de Excelência em Terapia Genética), e Joana Ferreira, investigadora do MIA-Portugal (Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento).
Cada um dos cientistas abordou temas relativos à forma como a sua vida pessoal e a sua área profissional se ligam e se entreajuda.
Vinda, talvez, do centro menos conhecido (o MIA-Portugal), Joana Ferreira estuda o envelhecimento do cérebro e tenta compreendê-lo de modo a diminuir os impactos da idade. Em conversa com o Diário de Coimbra revelou que trabalho na sessão de “Biblioteca Humana” com dois grupos «bastante distintos».
«No primeiro as pessoas eram mais jovens e apresentaram-me questões mais relacionadas com a vida pessoal e a escolha de uma área de trabalho. No caso do segundo, um grupo de adultos mais velhos, por assim dizer, as questões focaram-se muito mais em como impedir a degeneração do cérebro, principalmente para impedir os efeitos da doença de Alzheimer, uma preocupação geral».
Como “livro”, Joana explicou que a sua história rondou as «oportunidades que foram surgindo» e que lhe permitiram implementar o seu grupo em Coimbra e «fazer a ciência que gosto». «Tentei mostrar que às vezes as oportunidades que queremos não são as que surgem, mas que isso não é um problema. É preciso estar atentos ao que surge e aproveitar» explicou a investigadora.
No final as conclusões retiradas foram «positivas» e o interesse por uma nova sessão aumentou, tendo sido destacado que «é importante mostrar às pessoas o que fazemos e que também temos desafios. Mas é sobretudo importante explicar aquilo em que a comunidade investe».











