
O interior pode contar com o Presidente da República
Mourísia, no concelho de Arganil, com apenas dez habitantes permanentes, foi a primeira aldeia que o Presidente da República, António José Seguro, visitou de forma oficial, após a sua tomada posse que ocorreu na segunda-feira. O chefe de Estado já tinha estado nesta aldeia da União de Freguesias de Cerdeira e Moura da Serra, em agosto do ano passado, uma vez que a Mourísia foi uma das aldeias da freguesia mais fustigada pelo incêndio desse verão. E, nessa altura, chamou-lhe a atenção a Bandeira Nacional, colocada junto à placa da aldeia, chamuscada pelas chamas, tendo partilhado esse momento numa publicação nas suas redes sociais, afirmando que “nunca vos esquecerei”.
E assim foi! Ontem, na sua primeira visita oficial enquanto Presidente da República, deslocou-se à Mourísia, onde foi recebido com aplausos, não só pelos dez residentes, como também de outras de aldeias vizinhas. António Abreu, foi um deles. Habitante de Celavisa, fez questão de cumprimentar o filho do seu primeiro patrão, Domingos Seguro, pai de António José Seguro.
Ao Diário de Coimbra, António Abreu relatou que o seu primeiro emprego foi mesmo no café dos pais do atual Presidente da República, quando tinha apenas treze anos, em Penamacor. Por isso, não foi de estranhar que à chegada do chefe de Estado tivesse feito tanta questão de lhe dar um abraço e de se apresentar. «Sabe quem eu sou?», indagou ao abraçar António José Seguro. «Fui empregado do seu pai, no café», recordou a António José Seguro.
Foi, de igual modo, nesse primeiro momento de cumprimentos que o Presidente da República tirou a sua primeira selfie, com Claúdia Santos (a pedido da própria), a jovem que em agosto colocou a Bandeira Portuguesa junto à placa de Mourísia.
António José Seguro foi pontual nesta sua primeira visita. Mal saiu da viatura, começou logo a distribuir abraços e beijinhos, ouvindo atentamente o que cada pessoa lhe dizia, para em seguida descerrar uma placa de agradecimento pela sua visita, na Comissão de Melhoramentos de Mourísia.
Seguiu-se uma visita pela aldeia, com algumas paragens, para ir conversando com os autarcas que o acompanhavam, essencialmente com o presidente da Câmara de Arganil e o presidente da União de Freguesias de Cerdeira e Moura da Serra, que aproveitavam para lhe dar conta das suas preocupações. Luís Paulo Costa aproveitou a oportunidade para lamentar o facto de os 4,5 milhões de euros, destinados a recuperar infraestruturas danificadas pelos incêndios do verão passado, ainda não terem sido contratualizados, enquanto a preocupação de Bernardo Figueiredo se prende com o facto de os habitantes de Mourísia não conseguirem ter comunicações, internet e televisão, durante muito tempo seguido.
«A televisão, a fibra e o telefone falham muitas vezes e neste momento os habitantes estão há quatro semanas sem comunicações, funciona o telemóvel, mas só algumas redes e em alguns pontos específicos da aldeia e isso é muito triste, pois os habitantes são poucos e a companhia deles é a televisão e precisam do telefone para falarem com os seus familiares», frisou ao Diário de Coimbra Bernardo Figueiredo.
A intervenção de António José Seguro ocorreu na Eira, ao ar livre, com o Presidente da República, a dirigir-se, em primeiro lugar, aos seus habitantes. «Foi a vossa coragem e a vossa bravura que ajudou a combater as chamas e isso enternece-me e é um motivo de grande orgulho na maneira de ser português, de resistir e de lutar», afirmou. «Nunca mais esquecerei a Bandeira Nacional colocada junto à placa na entrada da Mourísia, a sinalizar o orgulho de ser português», recordou ainda. «E é por isso que aqui estou hoje para vos dizer que não vos vou esquecer, não vou esquecer a Mourísia, não vou esquecer Arganil, o interior do nosso país, que luta, que sofre, mas que é rijo e que é corajoso», afiançou o chefe de Estado.










