
Doença renal é “silenciosa” e pode ser das mais mortais
Em 2050, a doença renal crónica pode vir a constituir a quinta causa de morte em todo o mundo. Em véspera do Dia Mundial do Rim e nos 50 anos do Serviço de Nefrologia da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra, assinalados amanhã, importa alertar para deteção precoce desta doença silenciosa.
«Muitas vezes, as pessoas só têm sinais e sintomas quando mais de 70% da função [dos rins] já está perdida», sublinha Helena Sá, diretora do Serviço de Nefrologia, sugerindo que, quando são pedidas análises clínicas, se tenha em consideração a avaliação de marcadores que indicam o grau da função renal. Ou seja, importa manter «um diálogo de vigilância de rotina», explica a responsável, apelando à atenção para a obesidade, tensão arterial ou diabetes.
Na equação podem também entrar as alterações climáticas - nos períodos de muito calor há maior risco de desidratação e de agravamento da patologia renal -, como tal, as comemorações do Dia Mundial do Rim insistem no slogan “Cuidar das pessoas, salvar o planeta”, refere Helena Sá.
Excelência no SNS
O Serviço de Nefrologia, com Adelino Marques, foi pioneiro na área e na colaboração com a Transplantação Renal, então liderada por Linhares Furtado, responsável pelo primeiro transplante renal em Portugal, corria o ano de 1969.
«É um serviço que, tipicamente, caracteriza uma unidade que eu considero de excelência, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde», salienta Helena Sá, certa de que se trata do serviço «com maiores números assistenciais a nível nacional».
Em articulação com o Serviço de Urologia e Transplantação Renal da ULS, no ano passado foram realizados 130 transplantes, sublinha a responsável. A realização de 6.900 sessões de hemodiálise a doentes hemodialisados crónicos/ano e 7.200 a doentes internados e agudos são também indicadores do Serviço de Nefrologia, assim como as 27.600 consultas médicas em 2025.
De futuro, um dos objetivos é desenvolver a hemodiálise domiciliária e reforçar o apoio psicológico aos doentes, referiu a diretora de serviço, que sucedeu a Rui Alves (2016/2025).
Sobre os 50 anos do serviço, Rui Alves destaca as conquistas que «equipararam» a qualidade da assistência «àquilo que se faz de melhor na Europa e no resto do mundo». «Impactante foi, desde logo, o início da terapêutica dialítica, a diálise propriamente dita», refere, lembrando que, até essa altura, os doentes com insuficiência renal tinham de ir a Espanha para fazer diálise.
Dia Mundial do Rim celebra-se, habitualmente, na segunda quinta-feira de março. Alterações climáticas são ameaça
A sessão comemorativa do Dia Mundial do Rim e dos 50 anos do Serviço de Nefrologia decorre amanhã, no Grande Auditório do Centro de Congressos da ULS de Coimbra, a partir das 10h00. Para as 10h30, está prevista a apresentação do Registo da DRC5 - Hemodiálise, diálise peritoneal, transplantação renal e tratamento conservador com dados referentes a 2025.
«Há dados preliminares que apontam que estamos a fazer alguma coisa de bom, relativamente à prevenção, nestes últimos anos», salienta Helena Sá, referindo que outro dos destaques das comemorações é a homenagem aos ex-diretores do Serviço da ULS de Coimbra, seguida do descerramento da placa evocativa da direção de Rui Alves.
Entretanto, é também inaugurada a exposição “50 anos do Serviço Nefrologia da ULS de Coimbra – Cinco décadas de Evolução da Especialidade”, no hall principal dos HUC, que ficará patente até 16 de maio.











