
A “via sacra” de Catarina Cardoso para encontrar um trabalho
Catarina Cardoso reside no Bairro do Ingote e precisa de utilizar o Serviço de Transporte Especial dos SMTUC para chegar a horas ao seu local de trabalho, na Baixa de Coimbra. Um part-time para assegurar o movimento da caixa, à hora de almoço, na Tasquinha do Barbosa, um restaurante situado na Rua Simões de Castro.
Com 37 anos, este foi «o primeiro contrato de trabalho» de Catarina, que, há quase dois anos, aceitou o convite de Carlos Barbosa, proprietário do restaurante.
Uma experiência «gratificante» para Catarina que assim ganhou «alguma independência económica», como ela própria confessou, referindo que, logo que acabou o curso, enviou muitos currículos, mas nunca ninguém a chamou.
Catarina desloca-se numa cadeira de rodas elétrica e fala com alguma dificuldade. São sequelas de uma apneia prolongada que sofreu logo a seguir ao seu nascimento, como a própria nos explicou.
«Dificuldades, muitas dificuldades» que foi superando ao longo da sua vida. Recorda que sempre teve o apoio das instituições vocacionadas para o apoio à deficiência, contando que concluiu o 1.º ciclo na APCC, depois passou para a Escola Eugénio de Castro, onde fez o 9.º ano. Uma mudança «difícil, apesar do apoio», mas mais uma superação. Depois, foi na Escola Secundária Avelar Brotero, após ter concluído o curso de secretariado, com currículo adaptado, que realizou o seu primeiro estágio. Mais algumas experiências, sempre em regime de estágio, com o apoio do IEFP.
Lamenta que «as oportunidades sejam poucas», confessando que «se não fosse o apoio da família», a vida tornar-se-ia «mesmo muito difícil», até porque as pensões por deficiência são muito baixas. A acrescentar a todas estas dificuldades, junta-se ainda a necessidade de ajudas técnicas que neste caso, se trata da cadeira de rodas elétrica. Para tal conta com o apoio do Estado, mas é um processo «muito burocrático e longo», que tem de ser iniciado muito cedo.
De resto, Catarina confessa que só trabalha em part-time devido aos horários de transporte. Para Carlos Barbosa, isso também não é problema, pois a jovem assegura todo o trabalho de caixa à hora de almoço, que «é a hora de maior movimento». «E dá bem conta do recado», esclarece Carlos Barbosa, que considera que os outros empresários do setor, seus colegas, deviam seguir-lhe o exemplo. «Não há que ter medo, há sempre um período à experiência». De resto, Carlos Barbosa lamenta que «se fale tanto em inclusão, mas na prática, ainda há muito para fazer, começando por saber ultrapassar qualquer tipo de preconceito».












